A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto divulgou a programação completa de sua 21ª edição, que acontece de 25 a 30 de junho na cidade histórica mineira. Com o tema “Um país existe nas imagens que preserva”, o evento reafirma sua vocação única no país ao articular preservação audiovisual, história e educação por meio de uma programação gratuita que reúne 139 filmes, debates, encontros, oficinas, masterclasses, exposições e atrações artísticas.
Realizada pela Universo Produção, a mostra terá atividades no Centro de Artes e Convenções da UFOP, na Praça Tiradentes e no Museu da Inconfidência, além de parte da programação disponível online.
A grande homenageada desta edição é a cineasta Helena Solberg, autora de uma das filmografias mais importantes do cinema brasileiro. Diretora de A Entrevista (1966), frequentemente apontado como um marco do cinema realizado por mulheres no país, Solberg construiu uma trajetória marcada pelo diálogo entre política, feminismo e documentário. A mostra exibirá diferentes momentos de sua obra, incluindo títulos como The Double Day, Carmen Miranda: Bananas is My Business e Uma Carta para Beatrice.
A reflexão sobre a presença feminina na história do audiovisual também orienta a Temática Histórica deste ano, intitulada “Como elas começaram? Memórias do primeiro filme”. A programação revisita os primeiros longas de diretoras brasileiras de diferentes gerações, com exibições de obras como Mar de Rosas, de Ana Carolina; Que Bom Te Ver Viva, de Lúcia Murat; Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral; e Um Dia com Jerusa, de Viviane Ferreira.
Outro eixo central da CineOP é a preservação audiovisual. Sob o tema “Primeiros gestos na preservação audiovisual: práticas, memórias e formação”, a programação propõe reflexões sobre os esforços pioneiros que garantiram a sobrevivência de filmes, documentos e acervos fundamentais para a história do cinema brasileiro. O tradicional Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros chega à sua 21ª edição reunindo pesquisadores, profissionais e instituições do setor.
A educação completa o tripé que sustenta a identidade do festival. Inspirada pelo curta cubano Por Primera Vez (1967), a Temática Educação discute o primeiro encontro com o cinema como experiência transformadora, abordando questões ligadas à formação de público, ao cineclubismo e à presença do audiovisual nas escolas.
Entre os destaques da programação estão as pré-estreias de Anistia 79, de Anita Leandro; Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, o Documentário, de Paulo Severo; As Dores do Mundo – Hyldon, de Emilio Domingos e Felipe David Rodrigues; e Vivo 76, de Lírio Ferreira.
A Mostra Competitiva Contemporânea reúne cinco longas que exploram criativamente imagens de arquivo, concorrendo ao Troféu Vila Rica. Estão na seleção Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas, de Carlos Adriano; Apocalipse Segundo Baby, de Rafael Saar; Irritante Prodígio, de Luiza Lindner; Universo Circular – Jocy de Oliveira, de Dácio Pinheiro; e Notas Sobre um Desterro, de Gustavo Castro.
A programação também inclui cópias restauradas de clássicos como O Ébrio, de Gilda Abreu; Vento Norte, de Salomão Scliar; e Xica da Silva, de Cacá Diegues, reafirmando a importância da preservação como ferramenta para manter viva a memória audiovisual brasileira.
Além das exibições, a CineOP promove encontros, debates, lançamento de livros, oficinas, atividades para estudantes, sessões voltadas ao público infantil e uma programação artística que ocupa diferentes espaços de Ouro Preto ao longo dos seis dias de evento.
Mais informações e programação completa estão disponíveis no site da 21ª CineOP