Duplicidade

(Duplicity, EUA/ALE, 2009)

Desde o sucesso de Closer já dava para notar que a química entre Clive Owen (Mandando Bala) e Julia Roberts (Jogos do Poder) podia gerar bons lucros para as grandes produtoras de cinema de Hollywood. A dobradinha esperou cinco anos para se repetir, mas correspondeu a todas as expectativas.

Em Duplicidade, os dois dão vida a Ray Koval e Claire Stenwick, um casal de ex-espiões federais envolvidos em uma briga de cachorros grandes. A espionagem industrial, com roubo de fórmulas e fortes esquemas de segurança, é a especialidade dos dois, empregados de duas corporações inimigas. O segredo de uma delas é o principal plano dos dois.

Os cachorros grandes são Richard Garsik e Howard Tully, vividos por ninguém menos do que Paul Giamatti (O Ilusionista) e Tom Wilkinson (Normal). Embora o filme seja sobre o casal de espiões, são os dois empresários poderosos que trazem o público para a dentro da trama e da maneira mais inusitada possível: com uma briga esdrúxula, aproveitada nos mínimos detalhes pelo diretor Tony Gilroy (Conduta de Risco).

Gilroy também acerta ao escolher uma movimentação de câmera tão agitada quanto a história contada. As telas divididas e recortadas, que não agradam muito, brincam com a quantidade de informação que o espectador pode ter. A brincadeira se repete ao final de cada flashback, quando o quadro vai diminuindo até desaparecer, como se aquela verdade mostrada fosse tomada para ser transformada em outra. E o público que fique tão desconfiado quanto os personagens.

A boa música de James Newton Howard (Batman Begins) tem um papel fundamental e, de certa forma, marca bem o ritmo do filme. O desenho de produção de Kevin Thompson (Mais Estranho que a Ficção) também deve ser citado, assim como a arte de Steve Carter (Amor e Outros Desastres) e a cenografia de George De Titta Jr. (Eu Sou a Lenda), que são notórios na cena da revelação na sala de Tully, visualmente muito bem elaborada. Esta sala, especificamente, merece um olhar mais demorado.

O elenco está muito bem e, embora o destaque fique com Wilkenson em suas poucas cenas, Owen e Roberts estão muito bem como o casal central e sabem como se aproveitar da química entre eles. Enquanto ele está confortável (e lindo) no papel do conquistador, Roberts parece estar mais serena e tem o domínio de sua personagem.

Quem aparece rapidamente e deixa sua marca é Carrie Preston, a Arlene de True Blood, como uma das funcionárias da empresa de Tully. A cena do interrogatório depois da quebra de segurança é ótima.

Se a linha visual do filme é toda equilibrada e o elenco convincente, o mesmo não pode ser dito do roteiro que, apesar de ótimas falas e sequências, se perde em alguns momentos e acaba cansando pelo excesso de duração e detalhamento em algumas cenas. Um exemplo seria a primeira visita de Garsik ao seu quartel improvisado, uma apresentação de personagem que só funciona nos primeiros momentos.

No conjunto geral, porém, é um roteiro funcional e ganha pontos extras por trabalhar com duas verdades, uma para o espectador e outra para os personagens, e por manter bem a tensão e a curiosidade.

Divertido, é uma excelente pedida para passar o tempo, sem pretensões. Daqueles que a gente fica com vontade de ver mais uma vez depois que acaba só para ver os detalhes que ficaram pelo meio do caminho.

Claro que alguns diálogos, principalmente aqueles que acontecem em aeroportos, não precisam ser tão considerados assim.

Um Grande Momento

A pancadaria entre os empresários.

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Suspense
Direção: Tony Gilroy
Elenco: Clive Owen, Julia Roberts, Tom Wilkinson, Paul Giamatti, David Shumbris, Oleg Shtefanko, Denis O’Hare, Kathleen Chalfant, Thomas McCarthy, Wayne Duvall, Carrie Preston
Roteiro: Tony Gilroy
Duração: 125 min.
Minha nota: 7/10

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