Frei Betto participa de abertura do Encontro Nacional de Arquivos

A relação entre memória, história e futuro esteve no centro do debate de abertura do 21º Encontro Nacional de Arquivos, realizado na manhã de hoje (26), durante a 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. Entre os participantes, o escritor e teólogo Frei Betto chamou atenção para o que definiu como um processo de “des-historicização do tempo”, marcado pela perda da percepção histórica e pela dificuldade de projetar transformações sociais.

Segundo ele, a ausência de utopias enfraquece a capacidade de compreender o presente e imaginar o futuro. “Quando não se tem utopia, não se tem uma bússola que aponte o norte”, afirmou. Frei Betto destacou ainda o papel do cinema e das artes na preservação da memória coletiva, defendendo que a força da criação artística está justamente na capacidade de resgatar experiências, provocar reflexão e produzir impacto social.

A preocupação com a memória também atravessou as falas dos demais convidados. O reitor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Luciano Campos da Silva, associou educação e preservação cultural à responsabilidade com as futuras gerações. “Educar é a condição para que o mundo não acabe”, afirmou, defendendo que a transmissão do legado cultural é parte fundamental da construção de um futuro coletivo.

Durante o encontro, o reitor do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Thiago Matos Pinto, anunciou a criação de um Centro de Referência em Preservação Audiovisual em parceria com o Centro Técnico Audiovisual (CTAv). A iniciativa pretende ampliar a formação profissional na área, fortalecer a pesquisa e consolidar uma estrutura permanente voltada à preservação audiovisual. Segundo ele, o projeto poderá servir de modelo para outros institutos federais do país.

O debate também contou com a participação da cineasta Lucia Murat, que defendeu a necessidade de ações permanentes de preservação da memória nacional, especialmente das experiências de perseguição política e resistência. Já o promotor Marcelo Azevedo Mafra, professor de Direito do Patrimônio Cultural da UFOP, destacou que os bens culturais são portadores de referências fundamentais para a identidade coletiva. “Um país sem memória é um país sem identidade”, resumiu.

Os participantes reforçaram a importância dos arquivos, da educação e do audiovisual como instrumentos de preservação da história brasileira e de construção de novos horizontes para o futuro.

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