Crítica | Festival

Jerry & Marge Go Large

Idade da sorte

(Jerry & Marge Go Large, EUA, 2022)
  • Gênero: Comédia
  • Direção: David Frankel
  • Roteiro: Brad Copeland
  • Elenco: Bryan Cranston, Annette Bening, Rainn Wilson, Larry Wilmore, Uly Schlesinger
  • Duração: 96 minutos

Jerry e Marge são um um casal de meia idade. Ele ainda ainda tem muito a oferecer, mas acaba de ser aposentado compulsoriamente da Kellogs e está insatisfeito com a perspectiva de ficar em casa sem fazer nada. Um dia, numa tarde normal, descobre no verso de um bilhete de loteria um furo no processo que pode fazer com que ele ganhe muito dinheiro a longo prazo e assim começa a “investir” dinheiro. Não só o seu, mas de toda a pequena cidade onde mora. Esse é o plot de Jerry & Marge Go Large, filme da seção Spotlight Narrative de Tribeca este ano.

Com selo Paramount Player, destinado a lançamentos direto para o streaming, o longa é assinado por David Frankel, diretor de sucessos como O Diabo Veste Prada, Marley & Eu e Um Divã para Dois, e tem nos papéis principais Bryan Cranston (Breaking Bad) e Annette Bening (Minhas Mães e Meu Pai). A história é baseada no artigo homônimo do HuffPost escrito por Jason Fagone e, além do mirabolante conto de sucesso financeiro, traz essa faceta de reencontro com a vitalicidade, de contrariedade ao preconceito e etarismo que determinam que a partir de certo ponto as pessoas não têm mais serventia à sociedade ou o direito de fazer certas coisas.

Há um interesse em mostrar como a ação de Jerry transforma a sua rotina, o seu casamento e a sua relação com aqueles que são mais próximos a ele. Embora não perca a timidez, aquele homem calado e desgostoso do princípio vai tornando-se alguém que sorri mais e enfrenta a vida de uma outra forma. Mudança maior ainda vem para sua esposa, que anima-se com a aventura e os riscos assumidos.

Apoie o Cenas

Como cinema, Jerry and Marge Go Large não tem nada demais, mas a própria história tem muito a oferecer e Frankel sabe como trabalhar isso. Além de contar com o carisma de Cranston e Bening, ótimos nos papéis, ele distribui bem as tensões ao longo da trama: seja na insegurança do sistema criado pelo aposentado ou mesmo a rivalidade que surge quando um grupo de estudantes de Harvard descobre a mesma falha no sistema de apostas.

De maneira leve e divertida, o filme é daqueles programas que agradam toda a família. Nada que seja inesquecível, ou mesmo que vá fazer muita diferença na vida de alguém, mas não deixa de ser uma história curiosa, que vale a pena ser conhecida, com um pano de fundo que tem lá a sua relevância.

Um grande momento
Penteando o cabelo

[Tribeca Film Festival 2022]

Curte as coberturas do Cenas? Apoie o site!

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
Botão Voltar ao topo