(Darkest Hour, GBR, 2017)
Drama
Direção: Joe Wright
Elenco: Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Ben Mendelsohn, Lily James, Ronald Pickup, Stephen Dillane, Nicholas Jones, Samuel West, David Schofield
Roteiro: Anthony McCarten
Duração: 125 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Logo na primeira cena de O Destino de uma Nação, percebe-se que a intenção do diretor é criar um espetáculo visual grandioso. Jon Wright (Anna Karenina) soma a seu currículo, já recheado de projetos muito empenhados na construção da imagem e, geralmente, afeitos à estrutura mais tradicional, um filme que não vai além da forma.

Todo seu deslumbre com o personagem central, Winston Churchill e sua posse como primeiro-ministro do Reino Unido, durante a Segunda Guerra, está impresso em enquadramentos e movimentos de câmera tão imponentes quanto repetitivos. Tudo é feito para demonstrar a grandiosidade do protagonista, para expor toda a pompa e circunstância com que deve ser considerado.

E talvez toda essa vontade de dar ares de grandeza aqui vá além da relevância histórica de Churchill e sua participação nos eventos retratados. A atuação impecável de Gary Oldman (O Espião que Sabia Demais), que vai muito além do uso da maquiagem e efetivamente cria um personagem único, parece ser o principal motivo de existência do filme. É como se tudo ali fosse feito para destacar a performance do ator, mesmo que isso comprometa a própria história contada.

Sem diminuir o grande trabalho realizado, Oldman recria Churchill em um ambiente ausente de embates profundos e transita entre cenas sem a participação efetiva de mais ninguém. Até mesmo Clemmie, a esposa do estadista vivida por Kristin Scott Thomas (Dentro da Casa), é esquecida pelo roteiro. Ainda que tenha algum tipo de apresentação de personagem no início do filme, ela só volta a ter relevância na tela depois de muito tempo, em uma sequência de cenas quase constrangedora. O mesmo pode ser dito de outras participações, como a de Lily James (Cinderela), Stephen Dillane (As Horas) ou Ben Mendelsohn (Animal Kingdom).

Nesta apreciação individual da capacidade interpretativa de um ator, sobra o excesso de tudo que a circunda, e fica a sensação de longa duração do filme, os exageros na criação estética, o roteiro vacilante e de uma grande história desperdiçada.

Ainda que se possa destacar o bom trabalho técnico com a maquiagem ou a direção de fotografia, no fundo, O Destino de uma Nação não é um filme sobre um momento marcante na vida de Winston Churchill. É um filme de um grande ator interpretando aquela pessoa.

Um Grande Momento:
A ligação para Franklin Roosevelt.

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