Drama/Romance
Direção: Kar Wai Wong
Elenco: Jude Law, Norah Jones, Rachel Weisz, David Strathairn, Natalie Portman, Cat Power
Roteiro: Kar Wai Wong, Lawrence Block
Duração: 90 min.
Minha nota: 7/10
Sem muito alarde acabamos vivenciando uma bela história de amor e amadurecimento. Após ser abandonada por seu namorado, Elizabeth resolve deixar as chaves do apartamento do ex em um bar freqüentado pelos dois. Em sua loucura pós-abandono, ela acaba se aproximando do dono do estabelecimente, Jeremy, um homem que conhece bem a frustração amorosa.
A amizade entre os dois vai crescendo e acaba virando algo mais, mas ela precisa fazer a sua viagem de auto-conhecimento antes de qualquer outra coisa e vai. No meio do caminho cruza com outras pessoas que também carregam a tristeza dentro de si. Um policial alcoólatra abandonado pela bela esposa e uma jogadora inveterada carente de amor paterno. Em comum, todos estão envolvidos em relações contaminadas pela dependência.
O primeiro filme completamente falado em inglês do cultuado diretor chinês Kar Wai Wong, que desta vez também dividiu o roteiro, é belo e interessante e, de uma maneira sutil e quase ingênua, vai tocando em pontos como a co-dependência e toda frustração futura que ela acarreta. Mas a beleza é que isso não está ali na nossa cara. É preciso ser digerido, conhecido e captado.
O roteiro é todo muito bem amarrado e, mesmo não sendo perfeito, não escorrega em momentos onde a apelação seria a saída mais fácil. O elenco está muito bem e Norah Jones, em seu primeiro e até agora último filme, consegue convencer e surpreende no papel da doce e perdida Elizabeth. Dos outros conhecidos nomes, merecem destaque David Strathairn, como o sofrido e desesperado policial, e Rachel Weisz, como sua esposa.
A trilha sonora é ótima e combina perfeitamente com as belas imagens do diretor de fotografia iraniano Darius Khondji. A cantora Cat Power além de ter uma música no filme também faz uma ponta.
Assim como a torta de blueberry (ou mirtilo, em português) do título original, o filme não agradou tanto ao público e aos críticos, e foi deixado de escanteio, ao lado de outras tortas tão mais vistosas e conhecidas, como Amor à Flor da Pele e 2046, esperando pela curiosidade daqueles que arriscam conhecê-lo e que, fatalmente, acabam adorando o sabor leve e diferente que experimentam.
Bonito, inteligente e sensível, deve ser visto por todos.
Um Grande Momento
A conversa de Sue Lynne e Beth no meio da rua.
Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)
Cannes: Palma de Ouro
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