Com o Festival de Cannes, maio é um mês emblemático para os cinéfilos do mundo todo. E não é diferente para os brasileiros. De Walter Salles, vencedor do prêmio François Chalais por Diários de motocicleta em 2004, a Kleber Mendonça Filho, que levou o título de melhor diretor em 2025 por O Agente Secreto, o evento se tornou um palco onde o cinema nacional tem mais prestígio e reconhecimento nos últimos anos.
Para quem quer acompanhar a premiação deste ano, revisitar os vencedores do passado, os dois filmes podem ser um ótimo começo. Afinal, filmes são fotografias fiéis de suas épocas, apresentando experimentos formais e, muitas vezes, sinais precoces da direção que o cinema mundial tomaria nos anos posteriores.
Como assistir aos clássicos do Cannes
Se antigamente encontrar filmes clássicos era um desafio enorme (com várias visitas frustrantes às locadoras do bairro), atualmente, com o advento das plataformas de streaming, a busca é muito mais frutífera. Os espectadores brasileiros podem encontrar alguns títulos em plataformas como MUBI, Netflix ou Prime Video, enquanto outros entram e saem dos catálogos locais.
Em alguns casos, quando um filme não está disponível no Brasil, muitos cinéfilos usam uma das melhores VPNs do mercado para acessar com segurança bibliotecas internacionais mais amplas e proteger sua conexão durante o streaming. É uma opção prática para descobrir títulos que nunca tiveram ampla distribuição no Brasil.
Por onde começar
Se você não sabe por onde começar, aqui estão algumas sugestões de filmes que são cruciais para todo mundo que quer aproveitar ao máximo:
Parasita (2019)
Vencedor da Palma de Ouro em 2019, Parasita é inescapável. Se, por um lado, sua narrativa sobre conflitos de classe ressoa fortemente na realidade do Brasil; por outro, sua precisão técnica é mais que louvável: direção de arte impecável, humor ácido e um roteiro que transita entre gêneros com uma naturalidade ímpar.
Assunto de Família (2018)
Para quem prefere histórias com forte carga emocional, Assunto de Família é outra escolha essencial. Laureado em 2018, o filme de Hirokazu Kore-eda examina a pobreza, os laços familiares e a negligência social através de um grupo de pessoas marginalizadas que vivem à margem da sociedade em Tóquio.
O Piano (1993)
Se você busca algo visualmente hipnotizante, deve obrigatoriamente rever O Piano, vencedor da Palma de Ouro em 1993. Dirigido por Jane Campion, o filme merece destaque histórico como uma das raras vitórias para uma cineasta mulher. O filme mescla romance gótico, nuances do desejo feminino e paisagens impressionantes em uma obra que permanece atemporal.
Apocalypse Now (1979)
Nenhuma retrospectiva de Cannes está completa sem Apocalypse Now, de 1979. Francis Ford Coppola transformou o material inspirado em Joseph Conrad em um dos filmes de guerra mais ambiciosos do cinema. Visualmente impactante, o longa é uma verdadeira descida psicológica ao poder, à violência e ao colapso moral.
Paris, Texas (1984)
No extremo oposto do espectro está Paris, Texas, que levou a Palma de Ouro em 1984. Dirigida por Wim Wenders, a obra é lenta, melancólica e profundamente humana. Suas paisagens do território norte-americano são quase tão memoráveis quanto seus diálogos, que descrevem temas como a ausência, a memória e a reconciliação.
Taxi Driver (1976)
Outro clássico fundamental é Taxi Driver, dirigido por Martin Scorsese. Sendo um dos retratos urbanos mais marcantes da história do cinema, o longa traz Robert De Niro em uma atuação perturbadora que nunca busca simpatia, apenas atenção. Tratando de temas centrais, como alienação, solidão e decadência social, o filme soa estranhamente recente na era atual de radicalização online e comunidades fragmentadas.
All That Jazz – O Show Deve Continuar (1979)
All That Jazz, por outro lado, traz uma performance mais lúdica. Dividindo a Palma de Ouro com Apocalypse Now em 1979, o filme mistura autobiografia, espetáculo musical e angústia existencial de uma forma deslumbrante, engraçada e um tanto caótica.
Aprendendo a apreciar os clássicos
Nem sempre é fácil assistir os vencedores de Cannes, e esse é justamente o objetivo. Antes de embarcar no universo dessas obras, é importante saber que elas foram produzidas para desafiar os hábitos de consumo cinematográfico, introduzindo novas linguagens e propondo novos limites para o que antes era de praxe nas telonas.
Ao assistir a esses clássicos, você poderá descobrir não apenas grandes filmes, mas também entender melhor a evolução da sétima arte e por que Cannes ainda define os novos horizontes do cinema mundial.