(Vergel, ARG/BRA, 2017)
Drama
Direção: Kris Niklison
Elenco: Camila Morgado, Maricel Álvarez, Maria Alice Vergueiro, Daniel Fanego, Daniel Aráoz, Claudio Torres, André Caldas
Roteiro: Kris Niklison
Duração: 86min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Aquela pessoa que estava ali e, de repente, desaparece para sempre. A dor da perda, o vazio, a dificuldade de encarar um presente que agora se mostra quebrado, incompleto, se misturam numa espiral descendente que faz deste momento um dos mais difíceis para aqueles que seguem vivendo. O terrível e inescapável luto.

O sentimento é o que domina o longa-metragem Vergel, coprodução platino-brasileira dirigida pela argentina Kris Niklison. No filme, uma mulher tem que lidar com a perda longe de seu ambiente. Seu marido acabara de falecer em meio a uma viagem de férias, no país vizinho. Além da dor, precisa enfrentar ainda toda uma burocracia para a liberação do corpo enquanto tenta se dar conta daquilo que é agora o seu presente.

Enquanto está enclausurada naquela casa que não é a sua, aguardando telefonemas de advogados ou da funerária, se vê perdida em si mesmo, sem saber o que fazer para continuar. O espaço exíguo vai tornando o cotidiano sufocante. As cores vibrantes, todas as plantas da varanda e exemplos da continuidade da vida em pequenas ações alheias, como o vizinho que não para de encher o saco ou a vizinha que aparece para trazer algum conforto, se contrapõem à apatia da protagonista.

E o que importa ao filme é descortinar essa relação entre o exterior e o interior, as sensações que são tão comuns e tão inevitáveis, o se reencontrar depois de uma ruptura tão intensa e modificadora. Niklison lida muito bem com sua busca, seja com esse trabalho com as cores e os contrastes ou com a construção de quadros em seus estreitamentos, alargamentos, sombras e contraluz. Além disso, conta com a preciosa ajuda de Camila Morgado, completamente entregue ao papel, que sabe se deixar invadir pela angústia que dá o tom a esse caminho rumo ao interior de sua personagem.

Porém, em repetições e alargamentos, o longa se perde em alguns momentos e esbarra no desacerto em sua conclusão, quando resolve muito rapidamente tudo aquilo que passou tanto tempo lapidando na construção de algo tão pouco palpável, mas tão possivelmente identificável, como o luto.

Mesmo que encontre esses desacertos em seu desenvolvimento, o que fica de Vergel é esse encontrar da perda e sua tradução eficiente em momentos e sensações. Ali, naquele pequeno apartamento e em sua tão viva varanda, a dor e o luto se fazem concretos.

Um Grande Momento:
Tentando falar com a mãe.

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Texto publicado originalmente na Revista Lume Scope.