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Emily em Paris

O "american way of life" versus o "c'est la vie"

(Emily in Paris, EUA, 2020-)
Comédia
Criador: Darren Star
Temporada: 1-
Elenco: Lily Collins, Philippine Leroy-Beaulieu, Ashley Park
Duração média: 30 min.
Canal Netflix
Onde ver: Netflix

O olhar de turista sempre é com surpresa e fascinação e pode até ter sua estranheza, mas como não pretende se estabelecer, não aprofunda críticas. Já o estrangeiro, se formos para Georg Simmel¹, se firma no destino e parece nunca se enxergar como pertencendo ao novo grupo e também não é reconhecido como parte pelos membros, apesar de ser um. “Emily em Paris” apresenta esta confusa relação de um olhar american way of life com a sedutora cidade avant-garde.

Uma jovem que trabalha com marketing digital em Chicago é transferida para Paris para dar uma cara mais americana nas campanhas de mídias sociais dos produtos de luxo atendidos pela filial. Lá ela vive um choque cultural com os colegas de trabalho, a relação com os clientes e o trato os negócios. A cidade também não a deixa de impressionar, com sua história, sua arquitetura, sua boa comida e seu romantismo.

Cena da série Emily em Paris, da Netflix

Uma galera generosa, simples e que curte a vida

Emily (Lily Collins) é a norte americana que chega na França para trabalhar sem falar francês e, apesar de encontrar bastante resistência de seus colegas, consegue driblar obstáculos com seu carisma e sua resiliência. Inteligente, responsável e bastante ousada, cria situações inusitadas que são as grandes armadilhas que te prendem no sofá, além de seus novos amigos franceses que dão o tom leve para curtir.  

Independentemente de a todo momento se falar o quanto os parisienses são chatos, a própria história mostra o contrário: uma galera generosa, simples e que curte a vida. Isto é fácil de ver no vizinho gato, nos amigos do escritório e no cliente rico do perfume, a todo momento lançavam estas notas com sofisticação, requinte e algo de muito bom gosto.

Cena da série Emily em Paris, da Netflix

American way of life” versus o “C’est la vie

O choque cultural está exatamente no olhar estrangeiro usado para narrar a história, e não na história em si. Assim, o “american way of life” versus o “c’est la vie”, narrado pelo americano fica muito acentuado, mas para os amantes de um bom vinho, uma bela arte e um grande amor, reconhecer qual discurso é o mais sensato é fácil mesmo não sendo parte de nenhum grupo.

Sem maldade e com boas intenções, mire para acertar. Tem carisma, é rapidinho, tem romance, tem coisas bonitas, bem trabalhadas, e principalmente, tem chance de questionar alguns valores que talvez não sejam os de um estilo de vida ideal.

O Melhor Episódio:
T1E10 – Desfile Cancelado

Ver “Emily em Paris” na Netflix

Série em Cenas

Soraya Lopes

Gerente de projeto, comunicadora e buscadora constante de um descanso para a cabeça é viciada em séries e qualquer bobagem de tv que envolva comida, decoração ou sobrevivência e não tem escrúpulos de se emocionar com estas coisas. Se empenha em estudar filosofia, sociologia, psicologia e outros temas que possibilitem entender cada vez mais as pessoas.
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