Crítica | TV e VoD

Liga da Justiça de Zack Snyder

(Zack Snyder's Justice League, EUA, GBR, 2021)
Nota  
  • Gênero: Ação
  • Direção: Zack Snyder
  • Roteiro: Zack Snyder, Chris Terrio, Will Beall
  • Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Gal Gadot, Ray Fisher, Jason Momoa, Ezra Miller, Willem Dafoe, Jesse Eisenberg, Jeremy Irons, Diane Lane, Connie Nielsen, J.K. Simmons, Ciarán Hinds, Ryan Zheng, Amber Heard, Joe Morton, Lisa Loven Kongsli, David Thewlis
  • Duração: 242 minutos

Antes de começar com Liga da Justiça de Zack Snyder, vamos refletir no preço cobrado para alugar esse filme? R$49,90. Cinquenta reais. Uma oncinha. Não acham que esse valor é uma barreira grande demais para se ver um filme? Se bem que pensando melhor, isso dá menos de dez dólares. É, ok. Faz sentido até. Azar o nosso de ser brasileiro nesse momento, então. Voltando.

Após quatro horas com a bunda sentada na cadeira, posso sem medo reduzir o filme a uma palavra: épico. A versão de Liga da Justiça de 2021 do diretor Zack Snyder é outro filme, completamente diferente daquele que foi aos cinemas em 2017. Comparando os dois agora, é como se a versão anterior fosse o de agora completamente desmembrado, xoxo, capenga, manco, anêmico, frágil e inconsistente. É uma covardia olhar pra trás e ver que aquela foi a versão que o estúdio entregou.

Liga da Justiça de Zack Snyder

O tempo de tela, exatos 242 minutos, obviamente ajudam e muito todo o desenvolvimento narrativo. São muitas frentes, muitas histórias, muitos heróis, que precisavam de tempo pra se desenrolar. Por exemplo, a maior e melhor mudança, sem dúvidas, foi a história do Ciborgue, vivido por Ray Fisher. Já não bastasse o próprio personagem ter sofrido tanto e perdido todos os membros num acidente, a versão dos cinemas fez a mesma coisa com a sua história: a dilacerou. Agora sim, no Liga da Justiça de Zack Snyder, houve justiça. Dentre os heróis, talvez seja o segundo ou até o primeiro em importância para o enredo. Sua aparição maior também foi necessária para entendermos seus sentimentos e relacionamentos com seus pais e como isso o torna quem ele é e por que ele age do jeito que age, deixou de ser apenas um robocop meio ranzinza de 2017.

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O tempo de filme, mais uma vez, não apenas dá espaço para o desenvolvimento de personagens, mas também tempo para o espectador entender o tamanho das ameaças, para degustar as cenas e também ter descanso das mesmas. Nesse sentido, uma outra mudança foi muito bem-vinda: o som. Há novas e diferentes músicas que dão outro tom para diversas cenas. Do caos à calmaria. Em relação ao visual, Zack Snyder dá uma leve “nolarizada”, com pequenos pontos de saturação a menos, Snyder Cut é mais acinzentado que o anterior. O que causa mais estranheza, no começo, é o formato quadrado, 4:3, diferente do widescreen que estamos acostumados, mas que, com poucos minutos, se esquece.

Outra mudança: o vilão. Darkseid (voz de Ray Porter) está nesse filme, ele é o verdadeiro vilão. Na versão dos cinemas é o Steppenwolf (voz de Ciarán Hinds), ou Lobo da Estepe, que aqui é apenas um lacaio. Isso faz o nosso nível de apreensão se tornar ainda maior. Quer dizer que esse cara que está dando o maior trabalho pra toda a Liga da Justiça é apenas um lacaio do verdadeiro mau? Você já nem consegue imaginar como eles vão derrotá-lo num próximo filme.

Liga da Justiça de Zack Snyder

Quanto aos personagens, não há nada demais a se dizer. Não há nenhuma diferença da versão anterior além da já dita em relação ao Ciborgue. Ben Affleck (Batman), Gal Gadot (Mulher Maravilha) e Henry Cavill (Super Homem) fazem os heróis sérios, prontos para se sacrificar pelo bem da humanidade. Jason Momoa (Aquaman) e Ray Fisher (Ciborgue) são os relutantes rebeldes, porém bons.  Um ponto diferente a se ressaltar é em Ezra Miller, o Flash, que faz o contraponto cômico do filme e conta também com um tempinho a mais de tela. Diferente de 2017, no Snyder Cut parece que o peso desses momentos, em relação a todo o resto, foi mais correto. Não é um filme carregado nesse quesito quanto Os Vingadores, por exemplo. Além disso, tem uma participação essencial no final.

Recomendo fortemente todo mundo a assistir a Liga da Justiça de Zack Snyder. As quatro horas passam incrivelmente rápidas. Há até um epílogo com personagens novos e conhecidos numa cena nova gravada exclusivamente para essa versão. Confia. Esquece o anterior. É outro filme. E repito, não apenas como adjetivo, mas também como gênero, é épico.

Um grande momento
Todas as cenas em câmera lenta do Flash

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Guilherme Lopes

Cineasta por formação e resistência. Músico por paixão e insistência. 31 anos sem paciência.
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