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O Homem nas Trevas 2

Escuridão que já não assusta tanto

(Don't Breath 2, EUA, SRB, 2021)
Nota  
  • Gênero: Suspense
  • Direção: Rodo Sayagues
  • Roteiro: Rodo Sayagues, Fede Alvarez
  • Elenco: Stephen Lang, Brendan Sexton III, Madelyn Grace, Stephanie Arcila, Diaana Babnicova, Bobby Schofield, Rocci Williams, Adam Young, Christian Zagia
  • Duração: 98 minutos

Produção de Sam Raimi, chega cinco anos depois a já aguardada continuação de O Homem das Trevas – o primeiro filme se encerra com a notícia de que o velho veterano cego (Stephen Lang) havia sobrevivido após desabar do porão. Como já era previsível, Hollywood traz então esse O Homem das Trevas 2 que logo deverá ser seguido por mais dois ou três ou sabe se lá quantos filmes enquanto houver gente que queira pagar ingresso ou comprar on-line.

Nessa continuação o roteirista Rodo Sayagues assume a direção no lugar de Fede Alvarez (de A Morte do Demônio remake), que desta vez assina apenas o roteiro com ele é a produção executiva. E o roteiro, cheio de previsibilidades talvez seja um defeito menor perto da direção, já que Sayagues falha miseravelmente em construir suspense como Alvarez fez no primeiro filme, descambando para a carnificina. Mas vamos a premissa dessa história: oito anos após lutar contra os invasores que queriam assaltar a sua casa, o Homem nas Trevas agora é pai da menina Phoenix. Logo ele vai ter que lidar com novos invasores que dessa vez tem a criança como alvo.

O Homem nas Trevas 2
Foto: Divulgação

Propondo uma inversão, esse O Homem das Trevas 2 coloca o velho veterano de guerra, capaz de atos monstruosos já vistos no primeiro filme, quando ele inseminou à força a jovem responsável pela morte da primeira filha, pois ela “lhe devia” uma filha ou matou à queima roupa os assaltantes, agora como o “mocinho” já que aqueles que buscam Phoenix conseguem ser monstruosos na mesma medida.

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Sem entregar a trama, basta dizer que o velho não recebeu a segunda filha na sua porta e que os pais biológicos desta não tem lá grande interesse em manter seu bem estar mas sim dispor de algo que ela possui. Entre um assassino e um casal de criminosos e traficantes o cenário ideal seria mesmo a menina conseguir escapar de todos.

Fear of the dark
I have a constant fear that something’s always near
Fear of the dark
I have a phobia that someone’s always there

O Homem nas Trevas 2
Foto: Divulgação

Toda a dinâmica criada pela edição ágil, o desenho de som bem elaborado e especialmente a fotografia caprichada, come especial destaque para a imagem esbranquiçada quando o velho perseguia os assaltantes na escuridão o primeiro O Homem das Trevas logo se tornou um cultuado pequeno filme. Aqui, com orçamento maior a disposição, inclusive com mais locações e sendo filmado parcialmente na Eslováquia, faltou inventividade e sobrou falta de sutileza. As cenas em que o velho é machucado ou machuca de maneira muito pior e acaba matando os seus perseguidores são muito gráficas sem justificativa plausível dentro da ação dramática. O grande clímax da história se passa em uma piscina abandonada onde a fotografia avermelhada contrasta com os poucos raios de sol que vão entrando, trazendo como único elemento surpresa digamos, a névoa que se forma a partir do gás que o veterano arma para ter uma vantagem tática.

Stephen Lang que não é lá um grande ator talvez nessa continuação consiga compreender um pouco melhor seu personagem e trazer uma atuação regular, inclusive na maneira em que trabalha sua postura em cena e como se movimenta a partir dos ruídos que vai capturando para surpreender os outros. Mas não é muito, apenas uma luzinha no fim do túnel já que toda a narrativa de O Homem das Trevas 2 não sai dos trilhos em direção à extrema previsibilidade. Inclusive a trilha sonora, em parte executado pela Orquestra Sinfônica da Bratislava é bem óbvia e mal encaixada. Provoca um ruído grande em relação ao primeiro exemplar da franquia mas dificilmente será a última vez em que o Homem das Trevas aparecerá no escurinho do cinema.

Um grande momento
Jogado na água aguardando.

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Lorenna Montenegro

Lorenna Montenegro é crítica de cinema, roteirista, jornalista cultural e produtora de conteúdo. É uma Elvira, o Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e membro da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA). Cursou Produção Audiovisual e ministra oficinas e cursos sobre crítica, história e estética do cinema.
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