Crítica | Cinema

Tubarão: Mar de Sangue

(Shark Bait, EUA, 2022)
Nota  
  • Gênero: Suspense
  • Direção: James Nunn
  • Roteiro: Nick Saltrese
  • Elenco: Holly Earl, Jack Trueman, Catherine Hannay, Thomas Flynn, Malachi Pullar-Latchman, Manuel Cachi, Maxime Durand
  • Duração: 82 minutos

Personagens estúpidos são a base de filmes como Tubarão: Mar de Sangue, estreia de hoje nos cinemas brasileiros. Não basta apenas não saber se livrar de problemas, ainda fazem questão de atrair o maior número possível de novos para perto de si. Então não basta ficar bêbado a menos de um dia de pegar um avião, também tem que na manhã do voo roubar jet-skis para dar uma voltinha em alto mar. Não basta não seguir a instrução de locais e ficar distante do oceano pelos perigos com seus reais moradores, também tem que destruir as máquinas onde estão para ficar presos ao léu, no meio do grande nada azul. Essas e muitas outras burrices monumentais são cometidas em sequência dentro desse longa, que é dessa categoria de produção. 

Há muito tempo que o que Steven Spielberg concebeu no seu clássico de 1975 pode ser utilizado de parâmetro para qualquer um desses sub genéricos produtos derivados dos derivados. Tubarão não passa de uma inspiração distante, que gerou uma onda quase ininterrupta de releituras e tentativas novas de embarcar na onda que esse pânico gerou há quase 50 anos. Mas entre tipos gigantescos, bandos que caçam em conjunto e até mesmo tempestades de tubarões, não há como perceber que os produtores, dos mais caros aos mais ferrados, nos darão paz, ou aos pobres bichinhos. Somos estão assolados por filmes como esse, que nada tem a acrescentar ao que já vimos (e nos aborrecemos) sem parar.

James Nunn é uma figura insólita que foi alçado à condição de ‘gênio da raça’ pela turminha vulgar por conta de seu título anterior, Tiro Certo. Ele costuma trabalhar com o tal Scott Adkins, outro herói dessa garotada, e juntos realizam filmes super cretinos no qual foi visto uma qualidade que costuma ser inexistente. Tratam-se apenas formas recentes de realizar os filmes que Steven Seagal e Jean-Claude Van Damme faziam nos anos 1990, sem o talento de figuras como John Flynn, Tsui Hark ou Ringo Lam no comando. Nesse Tubarão: Mar de Sangue, ele abriu mão de seu ator-fetiche e no lugar colocou um bicharoco meio digital, meio boneco, que assusta bem pouco e transforma o Águas Rasas de Jaume Collet-Serra em uma obra-prima. 

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Tubarão: Mar de Sangue
Divulgação

O elenco é de doer, ninguém do quinteto de amigos é qualquer coisa acima do rasteiro, o que também não nos faz torcer pelos ditos mocinhos. Com um tubarão bem qualquer coisa e um grupo de atores que não nos aproxima de qualquer tipo de empatia, Tubarão: Mar de Sangue se perde em sua trama cansada, repetitiva e com inexistentes momentos de frescor. Pelo contrário, o filme parece uma produção antiquada e pouco funcional para os dias de hoje, sem qualquer espontaneidade e que usa todos os artifícios para dar vazão aos propósitos em cena. Com pouco mais de 80 minutos de duração, nem sempre o filme consegue ao menos empolgar, parecendo quase sempre cumprir uma tabela apenas para chegar até o fim, após o público consumir muita pipoca e refrigerante. 

Quando tudo falha, o que resta de um blockbuster de beira de estrada como esse? Sem fôlego enquanto produto de ação e tensão, com um elenco medíocre, uma direção que pouco realiza além do óbvio e um roteiro que chupa tudo ao seu redor, Tubarão: Mar de Sangue não nos leva a nada. Talvez sirva para um bando de adolescentes levar seus pares aos cinemas, e rolar uns amassos durante a exibição. Ir além desse serviço de utilidade pública é esperar demais de um filme que nem empoderado consegue ser, embora tente. Parecendo ter sido feito com a menor verba e no menor tempo possível, Nunn dificilmente deixará de angariar fãs para essas trasheiras que ele comete, mas ao menos que cada um entre em suas sessões sabendo das consequências de encarar algo tão bisonho. 

Um grande momento: O primeiro ataque

Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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