Daqui a uma semana, no próximo dia 6 de junho, começa na capital paranaense o 7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. Durante nove dias, a programação, que combina cinema contemporâneo com filmes clássicos e retrospectivas, e coloca lado a lado cineastas estreantes e veteranos, apresentará 156 filmes de 46 países. Além trazer à cidade vários convidados para discutir e vivenciar o cinema.

Para Antônio Júnior, diretor artístico do festival, o objetivo é uma busca de conexão com o presente e da própria evolução do festival. Ao comentar a seleção deste ano, que traz mais filmes de mulheres, de negros e negras que edições anteriores, ele afirma “isso reflete nossa conexão com o presente. Estamos sempre em busca de filmes que também estão temática e formalmente buscando expandir e ir atrás de possibilidades”.

“Somos uma equipe de curadoria que vive esse momento histórico-político e temos a clareza que diversos filmes que selecionamos, sejam eles clássicos ou contemporâneos, podem ser interpretados dentro desse contexto atual”, conclui o diretor do festival.

Djon África, de Filipa Reis e João Pedro Miller

Filmes de abertura, encerramento e mostras competitivas

Além do filme de abertura, a coprodução Brasil/Portugal/Cabo Verde Djon África, de Filipa Reis e João Pedro Miller, que ganhou o prêmio FIPRESCI no Festival Internacional do Uruguai e esteve na seleção de Roterdã, e do filme de encerramento Meu Nome É Daniel, realizado pelo diretor Daniel Gonçalves por meio de crowdfunding, em estreia mundial, o festival apresenta uma mostra competitiva potente e que promete gerar muitos debates.

A Mostra Competitiva de longa une filmes de vários locais do mundo e exibe, pela primeira vez no país, alguns dos destaques dos grandes festivais mundiais. Do Festival de Berlim, chega a animação A Casa Lobo, de Cristóbal León e Joaquín Cociña; o filme português DRVO – A Árvore, de André Gil Mata, e o longa indonésio O Visto e o Não Visto, de Kamila Andini. De Roterdã, o Olhar de Cinema traz a Curitiba A Floricultura, de Ruben Desiere; Ansiosa Tradução, de Shireen Seno; Homens que Jogam, de Matjaz Ivanisin; e o brasileiro Sol Alegria, de Tavinho Teixeira e Mariah Teixeira.

O Brasil também estará representado com Fabiana, de Brunna Laboissière, sobre uma caminhoneira trans que realiza sua última viagem. O chinês A Feiticeira Viúva, de Cai Chengjie, e a coprodução franco-germânica Boa Sorte, de Ben Russell, completam a seleção.

A Mostra Competitiva de curta estimula o debate ao mesclar os experimentais A Estranha História o Prince Dethmer de Corto Vaclav e Hadrien La Vapeur, Nosso Canto de Guerra de Juanita Onzaga e Evidência da Evidência de Alexander Johnston; à animação Caminhada Solar de Réka Bucsi; às ficções Carne de Mariana Jaspe, Espreita de Farnoosh Samadie, Imfura, de Samuel Ishmwe e Maré de Amaranta Cesar; ao documental Homem Negro Sem Identificação de Javier Extremera Rodríguez; e ao híbrido Eles Vêm Aí, de Ezequiel Reyes.

Sol Alegria, de Tavinho Teixeira e Mariah Teixeira

Prêmios e júri

Os longas-metragens da Mostra Competitiva concorrem aos troféus Prêmio Olhar de Melhor Filme, Prêmio Especial do Júri, Prêmio do Público e Prêmio de Contribuição Artística, que pode ser dado para roteiro, direção, atuação, composição de trilha sonora original, montagem, direção de fotografia, direção de arte ou edição de som. Entre os curtas-metragens será escolhido aquele que ganhará o Prêmio Olhar de Melhor Filme.

Os responsáveis por estas escolhas nesta edição são o diretor mineiro André Novais Oliveira, a programadora e pesquisadora francesa Claire Allouche, e o crítico e programador argentino Roger Koza.

Os longas da competitiva também concorrem ao Prêmio Abraccine, conferido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Além disso, junto a filmes selecionados para outras mostras, concorrem ao Prêmio Olhares Brasil, que, além do troféu, para longas, inclui Pacote de acessibilidade (Libras, AD, CC), com validade de 3 anos, pela ETC, mais R$30mil em serviços de pós-produção de imagem (conform, correção de cor, aplicação de créditos e deliveries), com validade de 2 anos, pela Mistika. Para os curtas, além do Prêmio Olhares Brasil, o filme leva a distribuição VOD na plataforma Looke.

Fora da competição principal, há muito mais nas outras sete mostras programadas para o festival, com destaques em mostras nacionais, nomes reconhecidos mundialmente, cineastas de renome que ainda não são conhecidos no Brasil, e diretores que ainda estão começando, numa mescla de visões e olhares que tem muito a acrescentar.

Paralelamente às exibições, o festival promove o Curitiba_Lab, iniciativa que busca estimular e aprimorar o desenvolvimento de projetos e que, este ano, selecionou nove projetos dentre 70 inscritos. Além disso, serão três oficinas voltadas para animação, som e roteiro, e diversos seminários, que trarão ao debate questões como a distribuição do cinema de autor, crítica e curadoria, representação e representatividade.

Os ingressos para as sessões já podem ser comprados a partir de hoje. Para conferir a programação completa, acesse o site: www.olhardecinema.com.br

Olhar de Cinema

O Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba acontece de 6 a 14 de junho. O evento, em sua sétima edição, tem como objetivo destacar e celebrar o cinema independente, por meio da seleção de filmes com propostas estéticas inventivas, envolventes e com comprometimento temático. Sem rejeitar gêneros, formatos e durações, a programação privilegia filmes que se arriscam em novas formas de linguagem cinematográfica, estão abertos ao experimentalismo e possuem potencial de comunicação.

O Olhar de Cinema também apresenta ao público novos diretores que, mesmo com uma curta filmografia, já possuem forte identidade artística. Dessa maneira, o evento tem a intenção não só de proporcionar ao público experiências cinematográficas singulares, mas também fomentar a reflexão acerca da linguagem e história do cinema.

O 7º Olhar de Cinema é uma realização da Grafo Audiovisual em parceria como o Ministério da Cultura e conta com o patrocínio BRDE, FSA, Ancine e apoio SESI-PR.

SERVIÇO

7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba
De 6 a 14 de junho
Locais: Shopping Nova Batel (Cineplex Batel), Shopping Crystal (Espaço Itaú de Cinema), SESC Paço da Liberdade, Centro Cultural SESI Heitor Stockler de França
Ingressos para os filmes: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia)
Os ingressos já estão à venda nos locais de exibição.
Demais atividades gratuitas e sujeitas à lotação da sala ou inscrição prévia.