(The Wife, GBR/SWE/EUA, 2017)
Drama
Direção: Björn Runge
Elenco: Glenn Close, Jonathan Pryce, Max Irons …
David Castleman, Christian Slater, Harry Lloyd, Annie Starke, Elizabeth McGovern
Roteiro: Meg Wolitzer (romance), Jane Anderson
Duração: 100 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Talvez em uma de suas melhores performances, dentre tantas outras inesquecíveis, Glenn Close dá vida à Joan Castleman e “rouba a cena” no longa A Esposa, baseado no romance homônimo de Meg Wolitzer. A trama conta sua história como esposa de Joe Castleman (Jonathan Pryce), um escritor de renome que acabou de ganhar o prêmio nobel da literatura e fala sobre relações familiares, a sociedade do espetáculo e, principalmente, sobre machismo.

Uma das características do filme é a diferente relação com a obviedade que o roteiro traz. Por um lado, a história não tem plot twists ou revelações bombásticas, por outro, é difícil materializar todos os sentimentos que rodeiam os atores durante as cenas, em especial Glenn Close. É impossível entender o filme sem se conectar com as complexas emoções que a protagonista expressa por meio de um olhar crepitante que faz arrepiar.

Mesmo não sendo ambientado nos tempos de hoje, A Esposa faz uma crítica ao patriarcado extremamente atual e necessária. É interessante a maneira que, também através do passado, se torna explícito o preconceito misógino e o abuso de relações de poder desiguais que o mundo da produção literária pratica contra as mulheres.

A qualidade do filme é inegável, com boas atuações, direção de arte e montagem, mas peca pela falta de profundidade de alguns personagens secundários e algumas “contracenas”. Apesar disso, o ritmo do filme é muito bem ditado e o uso de recursos como os flashbacks é eficaz. Sua estrutura, como um todo, viabiliza uma boa experiência, ainda mais com Close.

O filme, por si só, não é extraordinário ou marcante, contudo, essas são as exatas características da magnífica interpretação da atriz principal. Ela não só faz o ingresso valer, como também contribuí para uma das melhores construções de uma subjetividade complexa que dialoga com quem observa sua representação. Dizem que “só sabe mesmo quem viveu na pele”, em A Esposa, Glenn Close faz nossa pele viver!

Um Grande Momento:
O neto.

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