Crítica | Streaming e VoD

A Mãe da Noiva

Sem inspiração

(Mother of the Bride, EUA, 2024)
Nota  
  • Gênero: Comédia romântica
  • Direção: Mark Waters
  • Roteiro: Robin Bernheim
  • Elenco: Brooke Shields, Benjamin Bratt, Miranda Cosgrove, Sean Teale, Rachael Harris, Chad Michael Murray, Wilson Cruz, Michael McDonald, Tasneem Roc, Dalip Sondhi
  • Duração: 85 minutos

Mark Waters é um cara muito legal, que dirigiu alguns títulos icônicos para o mundo pop, como Meninas Malvadas e o remake de Sexta-Feira Muito Louca. Mas ele assinou com a Netflix e com isso seu último filme tinha sido Ele é Demais, um outro remake bastante dispensável. Agora, a Netflix lança A Mãe da Noiva, filme produzido para marketear a ilha de Phuket, na Tailândia, a mesma paradisíaca onde A Praia, filme que Danny Boyle rodou há 25 anos com Leonardo DiCaprio. Só que, vejam o ponto onde Waters chegou: com toda certeza contratado para realizar esse imenso comercial turístico, nem isso ele consegue fazer bem. A ilha é facilmente reconhecível, mas a beleza vista no filme de 2000 passa longe daqui, e o motivo disso é a falta de empenho do diretor em tornar a experiência mais próxima a extravagância de sensações que o visual deveria provocar. 

Para quem não viu o filme com DiCaprio então, fica difícil saber o que seus personagens aqui observam de tão bonito, porque nada disso é traduzido em imagens. Como A Mãe da Noiva se passa 98% no lugar, o elenco foi todo levado para o país, e muitas passagens nem sequer detalham sua região e geografia, fica complexo de entender se os “patrões” da produção ficaram satisfeitos. Se eu tivesse que palpitar, diria que não e ainda cortaram relações com o streaming, que além de não divulgar a contento o paraíso filmado, ainda entregou um filme bem ordinário. No fim das contas, o grande atrativo da produção passa longe das belezas geográficas, e se concentra inteiro na possibilidade de promover o encontro do público com Brooke Shields. 

Só que esse é outro problema. Para o público com mais de 40 anos, se interessar por A Mãe da Noiva é fácil, já que nós crescemos assistindo A Lagoa Azul repetidas vezes na ‘Sessão da Tarde’, e criamos uma conexão com Shields que o cinema nunca retroalimentou a contento. O público que procura uma comédia romântica na Netflix, no entanto, não está nem aí para a estrela adolescente do início dos anos 80, hoje ainda lindíssima, mas que não passa de uma desconhecida para grande parte do espectador médio. Dito isso, reencontrar Shields é mesmo ter a sensação de que a estrela nunca foi valorizada pelo cinema, e que não precisávamos ter ficado tanto tempo longe dela. Sua presença ilumina um filme quase sempre mantido em fogo bem baixo. 

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Na verdade, há bem pouco tempo tivemos um sucesso com Julia Roberts e George Clooney que prometeu e cumpriu caminhos bem parecidos com os vistos aqui, Ingresso para o Paraíso. Um título que era sobrecarregado pelo carisma de seus protagonistas, mas não fazia disso uma única opção. A Mãe da Noiva praticamente só vive disso, em nos conectar a Shields e Benjamin Bratt – vejam só, um namorado de Roberts nos anos 90. A roteirista Robin Bernheim tem, como ponto alto anterior da carreira, A Princesa e o Plebeu em versão atualizada, e sua muitas continuações. O resultado da inexperiência se vê na tela, com o constrangimento coletivo pelo qual o elenco precisa passar ao declarar os diálogos inverossímeis e situações surreais e sem sentido; um estilista famoso obrigaria a mãe de uma noiva a vestir preto num casamento na praia? 

Mesmo com o esforço coletivo de todos os atores, A Mãe da Noiva sequer tenta deixar de ser uma diversão rasa que não chega a lugar nenhum. Vendido, o elenco faz o trabalho sozinho em um set, e entrega o melhor que poderia apresentar. Waters parece cansado demais para brigar contra um cheque endereçado para ele, e que acaba nos apresentando a uma faceta burocrática que ele ainda não tinha apresentado. Em um campo cheio de possibilidades a mostrar, e tendo os anos de experiência a mostrar que ela já se saiu muito superior em outros momentos de clichês. Apesar da falta de comprometimento do filme (com o diretor como capitão da empreitada), o espectador segue na frente da TV de cara quanto ao que é exibido. Perto do que é entregue, o cinéfilo ainda magicamente se interessar pelo que está sendo contado é uma mágica e tanto.

Um grande momento

Jogo de quadra

Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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