Crítica | Streaming

A Maldição da Ponte

(女鬼橋, TPE, 2020)

  • Gênero: Terror
  • Direção: Lester Hsi
  • Roteiro: Keng-Ming Chang, Po-Hsiang Hao
  • Elenco: Ning Chang, Cheng Ko, J.C. Lin, Summer Meng, Vera Yen, Wan-Ru Zhan
  • Duração: 88 minutos
  • Nota:

Será que os orientais não irão se cansar da tradicional imagem da assombração de cabelo liso, comprido e molhado? Será que essa figura imageticamente é uma lenda que acompanha diversas histórias diferentes? Ou será que tudo não passa da mais pura falta de imaginação mesmo? Seja como for, a figura está de volta em A Maldição da Ponte, terror taiwanês dirigido pelo estreante Lester Hsi que acaba de chegar à plataforma Netflix e, além da batida imagem de sempre que em O Grito ainda tinha algum charme, traz também clichês a granel em sua narrativa.

Dessa vez, como o título já diz, é uma ponte que carrega uma influência negativa através dos tempos (quantos mais ou menos, nunca saberemos, possivelmente mais de 30). Uma jovem abandonada no passado se jogou no rio que corre sob a ponte, tornando-a assim amaldiçoada. De vez em quando estudantes locais tentam promover trotes e acabam sempre caindo na maldição e pagando com a vida. O filme acompanha uma jovem repórter que investiga a história e conforme ela avança na pesquisa, vemos em paralelo os últimos eventos a promover a perpetuação do mito.

Ainda que eventualmente o filme consiga algumas imagens que seduzam aqui e ali, no cômputo geral, não surpreende praticamente nunca e isso afeta o resultado, já que se pretende abraçar o suspense em torno do desenrolar dos acontecimentos como uma das ferramentas para segurar o espectador. Produzido por 14 pessoas, a produção segue um esquema muito comum dentro do gênero sem trazer nenhuma novidade efetiva, então cabe ao público basicamente observar a ordem das mortes e tentar se envolver para ao menos levar algum susto.

Mesmo tendo tanta gente encabeçando a produção, o filme carece de capricho no seu desenvolvimento, principalmente na sua direção de arte. Entendemos que é necessário criar um clima lúgubre, sombrio e adequado a uma história de fantasmas, mas uma universidade que a princípio não é ocupada por ninguém a não ser os 6 personagens e nos acontecimentos a seguir deixa claro como está suja, com um péssimo aspecto de conservação, remete imediatamente a não apenas um filme de terror, como um filme terrivelmente ambientado, com essa falta de sutileza que quebra qualquer boa vontade.

A Maldição da Ponte

A Maldição da Ponte conta também com um problema que é fatal em uma trama como a sua: a associação para o desfecho não precisa de nada além de prestar um pouco de atenção, a partir exclusivamente de observação visual. Se você sabe fazer contas, é bom fisionomista, domina a arte da dedução lógica, prepare-se para matar a charada bem rápido. E não apenas uma parte dela, mas toda. O negócio é tão óbvio que mesmo o filme fazendo um charme para descoberta do mistério, passa pela cabeça se não tinha uma ironia no todo e a proposta era zoar.

Pra fechar o pacote, Lester Hsi parece seduzido por muitas formas de contar essa história: através das imagens capturadas por câmeras particulares, criando um arremedo de A Bruxa de Blair, ou em narrativa tradicional. Conforme a trama avança, essa confusão de decisões só conseguem irritar e confundir, sendo mais um motivo de incômodo da produção. Ainda que pareça um desastre completo, o filme consegue entreter minimamente com alguma bossa, então as mesmices podem soar como um passatempo descartável para muitos.

Um grande momento
“Você não disse que ia cuidar de mim?”

Ver A Maldição da Ponte na Netflix

Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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