Crítica | Streaming

Ameaça Profunda

(Underwater, EUA, 2020)

  • Gênero: Ficção Científica
  • Direção: William Eubank
  • Roteiro: Brian Duffield, Adam Cozad
  • Elenco: Kristen Stewart, Vincent Cassel, Mamoudou Athie, T.J. Miller, John Gallagher Jr., Jessica Henwick, Gunner Wright, Fiona Rene, Amanda Troop
  • Duração: 95 minutos
  • Nota:

O lado bom de não ver trailers é demorar pelo menos meia pra entender sobre o que é o filme que você está assistindo. Com toda certeza o trailer de Ameaça Profunda revela tudo (e com certeza o leitor mesmo já tem ideia do que se trata o filme), mas se você fez como o crítico que vos fala e se escondeu, não tem porque continuar lendo esse texto antes de ver o filme. No entanto prometo tentar deixar a sensação mais misteriosa possível, como é meu costume; basta saber que estamos diante de mais um suspense claustrofóbico ambientado em um lugar de difícil acesso a qualquer reles mortal, no caso uma estação de perfuração marinha há mais de 10 quilômetros de profundidade.

O diretor William Eubank tinha dois títulos anteriores no currículo, ambas no terreno da ficção científica como essa produção que estreou em janeiro e agora chega a plataforma Telecine. Sem muita experiência, precisou se agarrar no roteiro capenga de Brian Duffield e Adam Cozad (o primeiro, com Insurgente no currículo, o segundo com A Lenda de Tarzan) que não apenas faz tudo que você imagina que ele irá fazer, incluindo os mesmos diálogos clichês sobre grupos em perigo ao se deparar com os motivos de seus problemas; ou seja, Eubank estava sozinho.

Kristen Stewart em Ameaça Profunda

Ele consegue inserir algumas doses de adrenalina interessantes ao longa, que incluem seu início melancólico com uma posterior cena tensa inicial. A protagonista Norah é muito bem conduzida por Kristen Stewart, que não apenas se movimenta bem por um universo que o espectador não domina (não é fácil acompanhar uma narrativa onde não se explica muito bem as dinâmicas de trabalho do grupo em cena) como é muito intensa cena a cena, sendo uma cicerone muito eficiente de um parque de diversões requentado.

Conseguimos compreender a necessidade de manter a visão difusa pro espectador, tendo em vista que muitas sequências se realizam no fundo do mar sem qualquer proteção que não a roupa de mergulho de cada personagem. Só que o preço a ser pago é não entender muito bem o que está acontecendo, o que é sombra e o que é movimentação real, atrapalha a imersão no produto – sim, Ameaça Profunda é um produto, de consumo rápido e que apenas serve como válvula de escape de emoções rasteiras, aqui nem sempre bem empregadas.

O resto do elenco serve para o que esse tipo de narrativa serve sempre: contagem de cadáveres. Como sempre a diversão é adivinhar a ordem de saída de cada ator em cena, que inclui Vincent Cassell e TJ Miller, fazendo aquele típico personagem irritante e falastrão que ninguém consegue torcer. Pra completar o pacote, o trabalho de som do filme, independente da eficácia do resultado, nada mais é do que um apanhado de “sucessos do gênero”, que o aproxima demais do título mais óbvio possível. Prestem atenção especificamente no som da cena onde Kristen e um casal tentam alcançar uma porta precisando superar inúmeros “obstáculos”.

Rodado há 3 anos, imagina-se que todos os problemas tenham alcançado a cara produção de 80 milhões que mal arrecadou a metade no mundo para justificar o atraso extremo no lançamento. Assistir Ameaça Profunda, a despeito do bonito plano final, é uma experiência triste para qualquer cinéfilo de formação desde a abertura, com a logo da 20th Century Fox invadindo a tela, com seu inconfundível tema soando alto. Comprada e sucateada pela Disney, uma das maiores produtoras e distribuidoras do mundo perdeu sua configuração original e pode ser que esse seu canto do cisne, ao menos como o conhecíamos.

Um grande momento
Os primeiros 8 minutos

Ver Ameaça Profunda no Telecine

Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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