Crítica | Outras metragens

Bad Hair

Literalmente, um Bad Hair day

(Karv, EST, 2019)

  • Gênero: Horror
  • Direção: Oskar Lehemaa
  • Roteiro: Oskar Lehemaa
  • Elenco: Sten Karpov
  • Duração: 14 minutos
  • Nota:

Se fôssemos fazer uma lista com todos os objetos e coisas que assumem a forma maligna e perseguem os seres humanos, ela não teria fim. Carros, eletrodomésticos, camisinha, vestido, sapatos já tiveram os seus momentos de glória como vilões do terror. Em Bad Hair é a vez do cabelo. Não aqueles cabelos marcantes do cinema oriental, mas os normais, que temos ou, mais especificamente,  deixamos de ter.

O diretor Oskar Lehemaa gosta de brincar com as imagens. Aposta em invertidas para as surpresas – inclusive é assim que, literalmente, abre Bad Hair – e, afeito a cortes, alterna entre muitos planos, construindo uma sintaxe que se estabelece bem no uso de elementos conhecidos. Para somar, o realizador conta com o expressivo Sten Karpov como a representação da conhecida masculinidade tóxica e suas exigências sociais.

Bad Hair

O curta estoniano transita entre o humor e a angústia, depositando mais fichas no segundo sentimento. Entre caras de nojo e fechadas de olho, Bad Hair é o típico filme que não se leva tão a sério, pelo contrário, diverte-se consigo mesmo. Mas isso está bem longe de ser algo negativo, é uma obra que funciona muito bem em suas provocações e tem consciência do que é elementar em um bom filme de horror: uma identificação visual tão forte que transfere o sentimento para quem assiste ao filme.

Na simplicidade dos poucos espaços e elementos cênicos; na confiança na atuação, e nas muitas experimentações e empréstimos audiovisuais, Bad Hair é uma justaposição de retalhos que funciona bem e cumpre seu papel sem prolongamentos. Um filme que diverte e angustia trazendo o horror de seu protagonista para perto de quem o vê. E quem nunca sofreu com o próprio cabelo, não é?

Um grande momento
Olho

[NightStream Festival]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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