Crítica | StreamingFestival do Rio

Jovem e Bela

(Jeune & jolie, ALE/FRA, 2013)

Drama
Direção: François Ozon
Elenco: Marine Vacth, Géraldine Pailhas, Frédéric Pierrot, Charlotte Rampling, Fantin Ravat, Johan Leysen, Nathalie Richard, Djedje Apali, Lucas Prisor
Roteiro: François Ozon
Duração: 95 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Em Jovem e Bela, o diretor François Ozon retrata um período da vida de Isabelle, uma adolescente de 17 anos que decide se prostituir. Dividido em quatro partes, que fazem referências às estações do ano e são iniciadas por músicas de Françoise Hardy, o longa trata sobre um tema típico deste momento na vida de qualquer jovem: a descoberta do sexo e da sua sexualidade.

Nada parece estar fora de lugar na vida de Isabelle. Ela tem uma vida confortável ao lado da mãe e do padrasto, mantém uma relação de cumplicidade com o irmão mais novo, é boa aluna e como já diz o título do filme, é jovem e bela. Mas a verdade é que não é fácil lidar com as dúvidas, anseios e pressões que um tema como sexo desperta, principalmente quando se está no início da vida sexual. As reações aos acontecimentos deste período da vida são as mais diversas e Isabelle encontra uma forma de se conhecer melhor na prostituição.

É nesta ambiente em que a impessoalidade e a ausência de vínculos são naturais, que ela se sente confortável. A forma fria como reage à perda da sua virgindade, tratando o evento como mera formalidade, como algo que precisasse ser feito, já é um indicativo do comportamento que irá acompanhá-la durante o filme. Ela apenas permite um pouco de intimidade aqui e ali, principalmente com figuras com as quais a ligação não tem cunho sexual, como o seu irmão e a sua melhor amiga. O fascínio que sua beleza desperta nos homens e o poder que isto lhe concede, satisfazem mais Isabelle do que o ato sexual em si.

Ozon constrói muito bem a história de Isabelle, ele usa planos que evidenciam a beleza da jovem e não economiza no erotismo das cenas, criando uma atmosfera de sensualidade. Jovem e Bela não se limita a mostrar apenas como o aflorar da sexualidade afeta Isabelle, mas também traz a visão de como isto mexe como os outros personagens da história.

A atriz Marine Vacth surpreende no papel da protagonista, chamando atenção não somente pela sua beleza, aliás, todo o elenco do filme é composto por atores belos, mas por transmitir bem a frieza e a ausência de passionalidade da personagem.

Contando com a participação especial da atriz Charlotte Rampling no desfecho da história, Jovem e Bela é um filme bem dirigido que consegue falar sobre um tema já conhecido, mas de uma forma inteligente.

Um Grande Momento:
Conversando com Alice.

Jovem-e-bela_poster

Links

IMDb [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=3CTm06H2Vvo[/youtube]

Mila Ramos

“Soteropaulistana”, publicitária, amante das artes, tecnologia e sorvete de chocolate. O amor pela Sétima Arte nasceu ainda criança, quando o seu pai a convidava para assistir ao Corujão nas noites insones. Apaixona-se todos os dias e acredita que o cinema é capaz de nos transportar a lugares nunca antes visitados. Escreve também no Cartões de viagens imaginárias.

2 Comentários

  1. Gosto do filme também. E principalmente dessa cena da praia.
    Mas sou muito fã de Dentro de Casa. Adoro o roteiro, em toda sua complexidade, e as atuações…

  2. Eu simplesmente adorei esse filme, muito mais potente que “Dentro de Casa”. Aliás, fico contente que o discurso insosso sobre não haver respostas para a atitude da personagem diante de sua escolha pela prostituição não seja repetido aqui. Ozon consegue ilustrar muito bem as motivações da protagonista de modo visual, pois o modo excessivo como vemos a imagem de Isabelle sendo refletida ao longo do filme confirma alguém em busca de si mesma a partir do instante em que perde a virgindade – a cena da praia em que uma parte de Isabelle desaparece é soturna e maravilhosa.

Botão Voltar ao topo