Crítica | Streaming

Cisne Negro

(Black Swan, EUA, 2010)

Drama
Direção: Darren Aronofsky
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder
Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz, John J. McLaughlin
Duração: 108 min.
Nota: 9 ★★★★★★★★★☆
Perturbador. Se a tarefa fosse resumir o filme Cisne Negro em uma palavra, ela estaria cumprida. E, sem dúvida, perturbar era o principal objetivo do diretor Darren Aronofsky, que inclui em sua filmografia recheada de filmes incômodos e indigestos mais um título de dar nó no estômago até dos menos influenciáveis.

O filme conta a história de uma dedicada bailarina que vê na aposentadoria da prima-dona de sua companhia a chance de assumir o posto mais importante de sua carreira.

Sem muitas novidades no tema “bailarina sonha em ser a principal”, já conhecido e bastante explorado na ópera, teatro e cinema, a história cativa por explorar o que está, por trás de qualquer cortina e dos bastidores, dentro da mente da protagonista. E, sem querer enganar ninguém, é difícil acompanhar uma jornada que segue, o tempo todo, invadindo os conhecidos e estabelecidos limites da sanidade.

O clima pesado do roteiro fica ainda pior com a opção pelo digital sem muita luz e seu granulado, o uso de cores nada chamativas e a instabilidade da câmera na mão. Está tudo tão cru e tratando de sentimentos e sensações tão conhecidas de todos, que fica difícil não vivenciar aquela angústia.

Na música, pelo menos, ainda há um laço com aquilo que nos é familiar. Todo o visual contrasta com a conhecida e não-surpreendente trilha sonora de O Lago dos Cisnes. Como se no meio de tanta angústia e ansiedade existisse algum lugar seguro.

Em sua mistura, Aronofsky trabalha bem com o tempo e não perde tempo explicando o que está sendo visto. Com um elenco compententíssimo nas mãos e inspiradas participações de Barbara Hershey e Mila Kunis, o diretor ainda pode contar com uma atuação sublime de Natalie Portman, que além de ser perfeita para o papel, se entrega completamente à sua protagonista e transmite toda a verdade necessária para viver suas Odette e Odile.

Com um tema que parece muito mais fácil de digerir do que é, Cisne Negro é um filme para se ver preparado. De preferência, embarcando de verdade na viagem psicológica e deixando para trás aquilo que sabemos e conhecemos como real.

Um Grande Momento

Sentindo Odile.

Logo-Oscar1Oscar 2011
Melhor Atriz (Natalie Portman)

Links

IMDb Site Oficial [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=M4OX7Lk80iY[/youtube]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

7 Comentários

  1. Eu adorei o filme e concordo com tudo que Cecilia escreveu. Um filme de ballet totalmente fora do comum e do previsível, com cenas de suspense e agonia (a cena das unhas é cruel!). A busca pela perfeição nunca foi tão bem explorada. Para mim, nota 10!

  2. Não entendo porque a crítica americana detonou esse filme. É extraordinário! Só o Aronofsky mesmo pra presentear o público com um filme desses.

  3. Esse filme é de tirar o fôlego, mesmo. Concordo que tem que estar preparado para assistir, porque ele consegue prender até o fim. rsrs. ;)

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