Crítica | Catálogo

Clímax

(Climax, FRA/BEL, 2018)
Horror
Direção: Gaspar Noé
Elenco: Sofia Boutella, Romain Guillermic, Souheila Yacoub, Kiddy Smile, Claude-Emmanuelle Gajan-Maull, Giselle Palmer, Taylor Kastle, Thea Carla Schott, Sharleen Temple
Roteiro: Gaspar Noé
Duração: 97 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Sempre ouvi falar sobre o Gaspar Noé, aquele diretor de Irreversível, filme que dizem ser bem chocante e com uma cena de estupro hiper grotesca e cruel. Toda vez que falavam dele vinham à tona as atrocidades chocantes que aconteciam em seus longas e como elas deixavam o espectador extremamente desconfortável. Tendo isso em mente, nunca tive real interesse em nenhum de seus filmes, até eu conhecer Clímax, que me chamou atenção antes mesmo de eu saber quem o dirigia.

A história é de uma noite de comemoração em que um grupo de dança recém-formado festeja o fim do terceiro dia de ensaio. Tudo acontece normalmente até perceberem que alguém colocou ácido na sangria que quase todo mundo bebeu durante a festa. O desenrolar da trama é caótico e psicodélico, tudo acontece em ritmos diferentes durante o filme. Os retalhos iniciais das histórias dos personagens se conectam com o tempo e se juntam em uma trama que só consegue ficar a cada minuto mais complexa.

É de se observar que Clímax foi quase integralmente improvisado pelos atores (que na verdade não são atores, mas sim dançarinos) e que os planos são bem extensos, com poucos cortes ou transições. Isso deixa o filme dinâmico, mas ao mesmo tempo “bêbado”, no sentido de você estar perdido e anestesiado pelo andamento dos fatos. E essa sensação de embriaguez é interessante justamente por vir em peso na performance de Sofia Boutella, personagem que mais acompanhamos e que surpreende nos surtos psicodélicos e nas expressões.

Tudo no filme o faz parecer alguma espécie de manifesto à catarse, a um sentimento extremamente profundo e íntimo que faz mover por meio do incômodo. Como já é conhecido de Gaspar Noé, cenas que te deixam curioso, agoniado, enojado e desconfortável são a força motriz do enredo, mas nada parece estar no lugar errado. Os ângulos tortos, luzes coloridas, letreiros no meio do filme conseguem formar uma atmosfera coerente e que permite contar a história de uma excelente maneira. Clímax é uma experiência diferente, que vale a pena dependendo da disposição ou do estômago forte.

Um Tenso Momento:
Ela pega uma faca para se defender.

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Rodrigo Strieder

Quase publicitário, nerd, viciado em ficção científica, jogos e cinema, foi o primeiro participante do projeto Crítico Mirim do Cenas de Cinema. Depois de participar como jurado de festivais, arriscou suas primeiras linhas e segue até hoje escrevendo.
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