Crítica | FestivalFestival do Rio

Depois a Louca Sou Eu

(Depois a Louca Sou Eu, BRA, 2019)

  • Gênero: Comédia
  • Direção: Julia Rezende
  • Roteiro: Gustavo Lipsztein
  • Elenco: Debora Falabella, Yara de Novaes, Gustavo Vaz, Duda Batista, Romulo Arantes Neto
  • Duração: 87 minutos
  • Nota:

No Brasil, infelizmente, existe uma divisão muito clara entre o cinema comercial, aquele feito para vender, e o cinema de autor. Sintoma de um mercado ainda em desenvolvimento, é como se a obra de um nicho não pudesse aspirar aquele outro espaço, mas isso vem mudando aos poucos.

Um dos nomes que se destaca nessa mudança é o da diretora Júlia Rezende. Em uma filmografia que mescla títulos bem comerciais, como De Pernas pro Ar 3, e apostas autorais como Como é Cruel Viver Assim, ela encontra lugares para o equilíbrio, para estabelecer o jogo de mercado que a permite ter dinheiro para criar seus projetos sem que possa nos projetos encomendados deixar também sua marca.

Depois a Louca Sou Eu

Baseado no livro homônimo de Tati Bernardi, Depois a Louca Sou Eu é um projeto pessoal ambicioso – que chega justamente depois do lançamento arrasa quarteirão do terceiro filme da franquia com Ingrid Guimarães – e tem a difícil tarefa de transformar em imagem o abstrato transtornos e distúrbios psicológicos e psiquiátricos como a síndrome do pânico ou a depressão.

O longa conta a história de Dani, uma mulher que não consegue se desvencilhar da mãe superprotetora e vive a vida em função dos riscos, dando sempre muito pouca chance para que algo possa sair diferente do esperado. Além de muito bom-humor para as situações, Rezende traz novos elementos para complementar a experiência e faz com que tudo funcione bem.

Débora Falabella em Depois a Louca Sou Eu

Esteticamente, há sequências muito inspiradas, especialmente aquelas onde o espectador é transportado para dentro da cabeça de Dani. Além disso, há todo o trabalho de entrega de Débora Falabella (O Beijo no Asfalto) na construção da protagonista, com uma transição de humores sempre eficiente e fundamental para o papel.

Assistir a Depois a Louca Sou Eu já seria uma delícia por ver um cinema que entende essa possibilidade de ser comercial sem ser vazio, sendo relevante. Em um momento onde a ansiedade toma conta do país e o rivotril anda na carteira de todo mundo, é ainda mais especial.

Um Grande Momento:
No vazio.

[Festival do Rio 2019]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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