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Deserto Particular vence 25º Cine PE

O encerramento do 25o. Cine PE não poderia ter sido mais emocionante, como preza uma boa conclusão de festival. Reconhecido como o mais carinhoso dos festivais de grandes cidades do Brasil, essa edição ainda sem a duração adequada, ainda pressionando espectadores e imprensa rumo a sessões longas, ainda assim conseguiu se fazer grandiosa, e ao mesmo tempo delicada e terna.

Com uma curadoria a cargo de Edu Fernandes e Nayara Reynaud refletindo tanta coisa do nosso tempo de maneira exemplar, da explosão demográfica à crise migratória, da reconstrução dos afetos a historicidade desses mesmos afetos, passando inclusive por vertentes do cinema de gênero e por um recorte documental muito feliz, o festival premiou seus melhores dando voz a todos os lados, e prometendo um 2022 inesquecível, com possibilidades infinitas.

O grande vencedor, Deserto Particular, saiu com seis prêmios (filme do júri oficial, filme do júri da crítica, ator, ator coadjuvante, atriz coadjuvante e trilha) mas não impediu o gosto de vitória a outros longas, que se equiparavam a ele em potencial. Ainda assim, o nosso candidato ao Oscar de filme internacional em 2022 teve uma vitrine à altura de suas potencialidades para brilhar. Que alguém do porte de Zezita Matos estivesse lá para representar a produção foi um acerto sem fim.

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‘Ainda estou vivo’, impactante longa documental sobre ressocialização de carcerários, saiu com dois Calungas de peso, melhor direção e montagem. O longa de André Bonfim foi exibido na mesma noite do filme de Aly Muritiba e arrebatou a todos com sua abordagem sem paternalismo da vida na prisão em suas tentativas de recuperação. O diretor premiado emocionou a todos com seu relato comovente sobre a destruição da pandemia do covid-19 no país a partir da experiência com o próprio pai.

A melhor atriz foi Evelin Buchegguer, de Receba!, delicioso filme baiano que também ganhou o prêmio de melhor som, ambos merecidamente. Uma aposta no cinema de gênero cheio de brasilidade, o filme também ganhou o prêmio de melhor filme pelo júri popular, que veio abaixo na sessão com a produção que mistura ação, violência, humor, sem esquecer do tempero baiano.

Lima Barreto ao Terceiro Dia levou os prêmios de melhor roteiro e melhor direção de arte – essa segunda, indiscutível – para um longa que não se propõe a biografar o autor de Policarpo Quaresma, mas sim criar uma analogia entre essa própria criação e o estado das coisas para o próprio Lima, na juventude e muitos anos depois, quando percebe um mundo nada diferente do que imaginou.

Já entre os curtas, Nada de Bom Acontece Depois dos 30, ficção distópica dirigida por Lucas Vasconcelos arrebatou os principais troféus – filme, direção, ator para Pedro Nercessian, e fotografia, que revela Pedro Gabriel Miziara para o mundo, com o trabalho mais marcante em termos de concepção de luz e enquadramentos desse Cine PE. Entre os pernambucanos, a unanimidade foi ‘Terceiro Andar’, que deu filme, direção e roteiro para o mesmo Deuilton Junior.

Antes da premiação à noite, Alfredo Bertini, diretor do festival ao lado de Sandra Bertini, chamou a imprensa para comunicar uma série de eventos a serem realizados entre março e abril próximos para reconectar todos os lados da cultura (cinema, teatro, música, dança, literatura…) já como pontapé para a próxima edição do Cine PE. Uma espécie de simpósio com representantes de todas essas áreas citadas, para angariar uma frente única pró-cultura, tão desvalorizada pelo governo atual, e que a base do Cine PE tem intenção de mobilizar e promover, expandindo as conversas que o próprio festival já sucinta e que certamente terá foco nos próximos meses.

A premiação dos contemplados no Cine PE 2020, realizada também conjuntamente esse ano, e que muito significou para que o festival do ano passado não se encerrasse no virtual, foi tão bem-vinda que conseguiu render ao menos um momento histórico, a premiação de Victor di Marco, diretor de O Que Pode um Corpo, que entre tantas subidas ao palco, emocionou o público ao falar da sua própria deficiência, da sua dificuldade de inclusão enquanto LGBTQIA+ deficiente, e estimulando vozes como a dele a resistir e vibrar.

Abaixo, a lista de premiados gerais:

PRÊMIO CANAL BRASIL
“Aurora – A Rua Que Queria Ser Rio”, de Radhi Meron

PRÊMIO DA CRÍTICA – ABRACCINE
Melhor Curta Nacional – “O Resto”, de Pedro Gonçalves Ribeiro
Melhor Longa-Metragem – “Deserto Particular”, de Aly Muritiba

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS
Melhor Filme – “Terceiro Andar”, de Deuilton B. Junior
Melhor Diretor – Deuilton B. Junior (“Terceiro Andar”)
Melhor Roteiro – Deuilton B. Junior (“Terceiro Andar”)
Melhor Fotografia – Pedro Melo e Enzo Ferrano (“Playlist”)
Melhor Montagem – Manuela Ferrão e Pedro Ferreira (“Inocentes”)
Melhor Edição de Som – Diego Melo (“Cannabis Medicinal no Brasil: A Guerra pelo acesso”)
Melhor Direção de Arte – Nathalia Monteiro (“Playlist”)
Melhor Trilha Sonora – (“Playlist”)
Melhor Ator – Gabriel Gomes (“Playlist”)
Melhor Atriz – Julyana Batista (“Playlist”)
Menção Honrosa – “Entremarés”, de Anna Andrade. Pela luta e resistência das mulheres em acompanhar a maré e fazer dela sua vida.

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS
Melhor Filme – “Nada de Bom Acontece Depois dos 30”, de Lucas Vaconcelos
Melhor Diretor – Lucas Vasconcelos (“Nada de Bom Acontece Depois dos 30”)
Melhor Roteiro – Thiago Foresti (“Algoritmo”)
Melhor Fotografia – Pedro Gabriel Miziara (“Nada de Bom Acontece Depois dos 30”)
Melhor Montagem – Daniel Sena (“Algoritmo”)
Melhor Edição de Som – Micael Guimarães e Ipê Amarelo Filmes (“Algoritmo”)
Melhor Direção de Arte – Erick Souza (“Aurora – A rua que queria ser um rio”)
Melhor Trilha Sonora – Alohamath, Mathias Froes (“Sonho de Verão”)
Melhor Ator – Pedro Nercessian (“Nada de bom acontece depois dos 30”)
Melhor Atriz – Agda Couto (“Algoritmo”)
Menção Honrosa – “Áurea”, de Hewelin Fernandes. Pela valorização da tradição ancestral realizada pelas parteiras.
Menção Honrosa – “Corpo Mudo”, de Marcela Schield. Pela importância do tema abordado.

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS
Melhor Filme – “Deserto Particular”, de Aly Muritiba
Melhor Diretor – André Bomfim (“Ainda Estou Vivo”)
Melhor Roteiro – Luiz Antonio Pilar e Luis Alberto de Abreu (“Lima Barreto ao Terceiro dia”)
Melhor Fotografia – Matheus da Rocha Pereira (“Os ossos da Saudade”)
Melhor Montagem – Bruna Carvalho Almeida (“Ainda estou vivo”)
Melhor Edição de Som – Napoleão Cunha (“Receba!”)
Melhor Direção de Arte – Doris Rollemberg, por (“Lima Barreto ao Terceiro dia”)
Melhor Trilha Sonora – Felipe Ayres (“Deserto Particular”)
Melhor Ator Coadjuvante – Luthero Renato de Almeida (“Deserto Particular”)
Atriz Coadjuvante – Zezita Matos (“Deserto Particular”)
Ator – Antonio Saboya e Pedro Fasanaro (“Deserto Particular”)
Atriz – Evelin Buchegger (“Receba!”)
Menção Honrosa – A comissão julgadora do 25º Cine PE concede menção honrosa pela luta, resistência e memória afetiva, retratados no documentário “Muribeca”.
Menção Especial – A comissão julgadora do 25º Cine PE oferece uma menção especial pela importante iniciativa de ressocialização e principalmente pela disponibilidade e entrega do elenco do documentário “Ainda Estou Vivo”.

Redação

O Cenas de Cinema é um veículo informal e divertido que tem como principal objetivo divulgar a sétima arte, com críticas, notícias, listas e matérias especiais
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