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A Garota Dinamarquesa

(The Danish Girl, GBR/ALE/EUA, 2015)

Drama
Direção: Tom Hooper
Elenco: Alicia Vikander, Eddie Redmayne, Adrian Schiller, Amber Heard, Emerald Fennell, Ben Whishaw, Pip Torrens, Matthias Schoenaerts, Sebastian Koch
Roteiro: David Ebershoff (livro), Lucinda Coxon
Duração: 119 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

A Garota Dinamarquesa, que estreia hoje nos cinemas brasileiros, conta uma história que precisa ser conhecida por todos. A de Lili Elbe, nascida Einer Wegener, uma das primeiras transexuais a ser submetida à cirurgia de mudança de sexo, na década de 1920.

Enquanto ainda vivia como Einer, Lili era uma pintora de renome, e dividia seu ateliê com a esposa Gerda. Ambas se conheceram na Royal Danish Academy of Fine Arts em Copenhague, casando-se tempos depois. Foi pela dificuldade da companheira, também pintora, em encontrar modelos, que Lili começou a se vestir de mulher.

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O longa-metragem, dirigido por Tom Hooper (Os Miseráveis), foca na relação entre as duas mulheres para contar a história. A escolha do diretor é pelo já dominado por ele método quadrado de desenvolver suas tramas. Tudo está no devido lugar e muito bem envolvido pela estética rebuscada já percebida em outros longas do diretor britânico. Somando a isso o ritmo lento e meloso com que o filme se desenvolve, A Garota Dinamarquesa poderia se distanciar do público, mas o inusitado da história para época em que ocorre e a forte carga humana mantêm o interesse necessário para conectar os espectadores.

É muito curioso conhecer as fases de Lili, que se apresenta de maneira socialmente convencional ao início do filme e vai se deixado revelar com o passar do tempo, quando aquilo que esconde até de si mesmo toma as rédeas de sua vida.

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Mas é na presença constante da figura de Gerda, que também tem um arco interessante no desenvolvimento de seus sentimentos frente à nova situação, alterando entre sentimentos contraditórios em essência, e se mostra uma parceria de toda vida, que o filme tem a sua verdadeira conexão.

Ainda que pudessem ser mais profundamente abordados, os preconceitos sociais, a inadequação, o medo e a perda, estão bem distribuídos pela história, adaptada por Lucinda Coxon (Matador em Perigo) do livro biográfico de David Ebershoff. A Garota Dinamarquesa também acerta ao se ausentar de posições morais ou militantes e se fixar naquilo que conta.

Mas, mesmo com a excelente história, falta a Hooper o traquejo na hora de ousar, escorregando em diversos momentos para o apelativo e o clichê. Coisa que não passa despercebida nem mesmo com a boa trilha sonora de Alexandre Desplat (O Grande Hotel Budapeste), a bela fotografia de Danny Cohen (O Discurso do Rei), o excelente desenho de produção de Eve Stewart (Victor Frankenstein) e figurino de Paco Delgado (A Pele que Habito).

Por outro lado, entre os destaques estão as atuações precisas de Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo) como o jovem Einar Wegener que se descobre Lili Elbe, e Alicia Vikander (Ex Machina: Instinto Artificial, como Gerda Wegener, em um momento inspiradíssimo de sua ainda nova carreira.

Um filme que não é cinematograficamente tudo aquilo que poderia ser, mas que merece ser visto, sem dúvida nenhuma.

Um Grande Momento:
Só um abraço.

Oscar-logo2Oscar 2016
Melhor Atriz Coadjuvante (Alicia Vikander)

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Links

IMDb [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=vjq2FgjpXow[/youtube]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. É votante internacional do Globo de Ouro e faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema, Critics Choice Association, OFCS – Online Film Critics Society e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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