Críticas

Era uma vez em… Hollywood

(Once Upon a Time… in Hollywood, EUA/GBR/CHN, 2019)
Comédia
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Emile Hirsch, Margaret Qualley, Timothy Olyphant, Julia Butters, Austin Butler, Dakota Fanning, Bruce Dern, Mike Moh, Luke Perry, Damian Lewis, Al Pacino, Nicholas Hammond, Samantha Robinson
Roteiro: Quentin Tarantino
Duração: 161 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Eis que Quentin Tarantino homenageia o período de grande efervescência que foram os anos 70, especialmente na ensolarada cidade dos anjos e suas calçadas repletas de estrelas da fama. O grande porém é que o roteirista de mão cheia (responsável por Amor à Queima Roupa, Um Drink no Inferno e Bastardos Inglórios) se deixa embasbacar pelas possibilidades estilísticas e descuida da história.

O que se tem como resultado é aquela narrativa com uma técnica romancesca e epistolar, dividindo sequências em capítulos, horas, e tornando tudo ainda mais enfadonho. Desinteressante demais a trama que segue os astros Rick Dalton/Leo DiCaprio, o dublê (Brad Pitt apenas sendo uma versão meio forçada metida a fodão de um jovem Robert Redford), Polanski e sua mulher-troféu Sharon Tate, Bruce Lee, Steve McQueen e mais vários outros vultos da indústria cinematográfica.

Os pouco mais de 160 minutos de filme não são um desperdício total de tempo de quem o assiste graças a insistência de DiCaprio em fazer uma boa personificação do ator televisivo de segunda categoria que só queria brilhar nas telas de cinema. A garotinha que contracena com ele no piloto também é uma brisa refrescante em uma película abafada e mofada.

Nem adianta se deter muito na representação deturpada e odiosa que Tarantino faz de Bruce Lee, desrespeitando não só o legado do grande artista marcial chinês como destilando seu ódio caricaturesco – marcante desde Kill Bill – contra os orientais; e a pobre Sharon Tate de Margot Robbie? Conta-se um total de oito falas da principal personagem feminina dessa fábula hollywoodiana.

A atriz de o Vale das Bonecas é apenas mais uma loira burra da indústria na visão de Tarantino, fetichizada até nas expressões de pura inocência. Esse Era Uma Vez é de fato incompreensível em sua existência para além de servir como alimento ao ególatra e podólatra cineasta norte-americano.

Para provar como a sua ode a Hollywood é bem feita e necessária, ele faz uma piadinha irônica ao poupar a grávida Tate de um destino cruel na trama ao colocar os hippies da seita do Charles Manson para virarem picadinho de churrasquinho nas mãos da dupla cowboy e dublê, afinal não dá pra ser um filme tarantinesco sem um banho de sangue bem vintage não é mesmo?

Era uma vez o cinema…

Um Grande Momento:
Rick Dalton operando o lança-chamas.

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Lorenna Montenegro

Lorenna Montenegro é crítica de cinema, roteirista, jornalista cultural e produtora de conteúdo. É uma Elvira, o Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e membro da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA). Cursou Produção Audiovisual e ministra oficinas e cursos sobre crítica, história e estética do cinema.
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