Crítica | Streaming

Exército do Amanhã

Meio a meio

(明日戰記, HKG, 2022)
Nota  
  • Gênero: Ficção científica
  • Direção: Ng Yuen-Fai
  • Roteiro: Lau Ho-Leung, Mak Tin-Chu, Law Chi-Leung
  • Elenco: Louis Koo, Sean Lau, Carina Lau, Phillip Keung, Tse Kwan-Ho, Nick Cheung, Xiaoxia Cheng
  • Duração: 99 minutos

A semana foi tensa na Netflix… há muito tempo não me deparava com um grupo de filmes tão abaixo da média quanto os últimos lançamentos, ao menos entre os filmes de caráter popular. Exército do Amanhã é uma produção de Hong Kong que chegou a estrear nos cinemas locais e ser um enorme sucesso de bilheteria, com mais de 100 milhões de dólares arrecadados somente no mercado interno. Rodado há mais de 5 anos, o filme sofreu diversos atrasos e a pandemia só o empurrou mais para frente ainda. O resultado, do ponto de vista cinematográfico, sem análise numérica, é uma decepção se levarmos em consideração tudo que foi gestado, e diante do material apresentado por fim, tanto estética quanto narrativamente. 

Dirigido pelo estreante na cadeira mas um profissional muito bem sucedido dos efeitos visuais, Ng Yuen-Fai parece cair em uma armadilha das mais bobas e infelizes. Satisfeito com a própria origem enquanto profissional, dedicou todas as suas melhores intenções ao trabalho de sofisticar sua área de origem. Com isso, Exército do Amanhã tem imagens finais das mais interessantes, sob o ponto de vista da catarse mesmo; nós, espectadores, reagimos de maneira muito espontânea ao potencial conseguido pelo filme, que é deixar nossos queixos constantemente no chão. Seja no campo mais amplo ou no lugar menos agigantado, o filme contribui para um visual que muitas vezes se sobrepõe a tudo que não é ele, e aí está o problema.

Narrativamente, Exército do Amanhã dá a impressão, durante todo o tempo, de que estamos assistindo a uma sequência de um filme anterior. Eu não era nascido em 1977, quando estreou o primeiro Star Wars, mas sem querer comparar com a epopeia espacial de George Lucas, o filme aqui me deixou com a cabeça parecida com os relatos que já vi da época. A narrativa claramente começou anos antes, e os personagens estão em novos momentos de suas vidas, ascenderam ou decaíram de seus lugares anteriores. Nenhum problema em lidar com elipses, mas o filme é muito refém desse passado e de informações que parecem já terem sido dadas em outra ocasião. A impressão é de chegar a uma festa onde todos se conhecem e você é o único penetra. 

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Outro problema da produção de Exército do Amanhã é o excesso de artificialidade no trabalho de Yuen-Fai. Entendo que sua área de trabalho seja o efeito visual, e que a história gire em torno de situações fantásticas; trata-se de uma ficção científica, ora bolas. A questão é que em muitos momentos parecemos estar assistindo muito mais a um videogame do que a um material cinematográfico. Principalmente quando lida com imagens em larga escala, como as das naves brigando com a gigantesca planta que sustenta a atmosfera local, tudo perde uma textura palpável, e o máximo a que conseguimos chegar é na sensação de estar diante de um novo Final Fantasy. Enquanto isso, as imagens das criaturas alienígenas que os perseguem e sua caracterização, essas sim são bastante acima da média da apreciação. 

O bom elenco também não consegue dar um brilho acima do esperado para Exército do Amanhã, mesmo que suas performances estejam em consonância do projeto. Isso porque o todo do filme parece demasiado cansado para gerar maiores expectativas, e porque o andamento das situações não gera entusiasmo. A confusa trama a respeito da salvação do planeta (as plantas são boas ou más?, elas querem acabar com a Terra ou salvar?, e isso é o mais básico) não ajuda o filme a conseguir um engajamento maior do público, que com certeza irá se debruçar sobre o longa. É pouco para tornar a experiência recompensadora ou motivar o público a espera de uma continuação (ou uma ‘prequel’) sobre uma obra tão cheia de altos e baixos. 

Um grande momento

O ataque ao hospital

Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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