Crítica | Cinema

Lightyear

(Lightyear, EUA, 2022)
Nota  
  • Gênero: Animação
  • Direção: Angus MacLane
  • Roteiro: Angus MacLane, Matthew Aldrich, Jason Headley
  • Duração: 100 minutos

Finalmente chega às telonas o filme que inspirou o pequeno Andy a pedir para a mãe comprar o famoso boneco do Buzz, que nós vimos enfrentar altas aventuras ao lado de seu fiel companheiro Woody.

O longa, como bom filme da Pixar, traz cenas emocionantes e divertidas, e conta a história do patrulheiro espacial, Buzz Lightyear, que, com ajuda de sua companheira, Alisha Hawthorne, tenta sair de um planeta onde acabaram presos sem querer, tentando criar a fórmula que possibilite um salto no espaço-tempo.

A amizade de Lightyear e Hawthorne parecia a coisa mais fofa do filme, mas a obstinação de Buzz em sair do planeta acabou fazendo-o perder fatos importantes na vida de Alisha. Os amigos ficavam felizes um pelo outro, mas mal passavam tempo juntos, então somos apresentados à família de Alisha, que pode ser considerada um marco da Pixar e o que, de fato, pode ser a coisa mais fofa do filme.

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Lightyear
Disney/Pixar

Além de o estúdio ter quebrado com as barreiras do racismo e da misoginia, colocando uma mulher negra como a mais importante patrulheira espacial da missão, que praticamente criou o famoso personagem Buzz Lightyear – porque ela o orientou -, a comunidade LGBTIA+ foi, finalmente, muito bem representada, com uma mulher negra constituindo família com outra mulher.

A delicadeza de Angus MacLane, que já tinha sido evidenciada em Procurando Dory, ficou ainda mais óbvia quando ele resolveu incluir a comunidade lésbica, em um filme da Pixar para crianças, de forma natural e leve: ao contar que iria se casar, Buzz apenas pergunta quem é a felizarda, sem que haja uma surpresa do personagem ao descobrir a sexualidade da amiga.

Lightyear
Disney/Pixar

Nos tempos sombrios que vivemos hoje, é indescritível a importância de um filme que diga para as crianças e adolescentes: você que é negra pode, sim, ser astronauta; você que é lésbica pode, sim, ter uma família e ser amada.

E é exatamente nesse tom que segue o fluxo do filme, até que Buzz, de tantos saltos temporais, conhece Izzy Hawthorne, a neta de Alisha, e com sua ajuda, e a atuação implacável de seu fiel companheiro, Sox, um gato robô dado de presente por Alisha, ele consegue compreender a solução para o seu problema e passa a tentar resolvê-lo ao lado de uma equipe formada por Izzy, astrofóbica, um rapaz estabanado e uma ex-presidiaria piromaníaca.

Se o filme parecia divertido antes de conhecer a neta de Alisha, espere para passar o resto do tempo sorrindo, com algumas cenas emocionantes no meio, para dar um descanso às bochechas.

Lightyear
Disney/Pixar

Obviamente, por ser um filme sobre o Buzz, que deu origem ao boneco de Andy, não há grandes referências a Toy Story, além de falas que os grandes fãs identificam logo no instante em que são ditas, mas nem fazem falta.

A presença do elemento fofo do filme, de lei em todo filme da Pixar, está na pequena Izzy criança e no gato-robô, Sox, além da intensidade das relações humanas que se formam no desenrolar da trama.

Lightyear é um show de humanidade, sensibilidade e inclusão. É o filme que diz: todos nós, independente de cor, sexualidade, destreza, fobias, ou até de uma ficha criminal não tão limpa, podemos ser o que quisermos, até mesmo grandes patrulheiros espaciais.

Um grande momento
A mensagem de Alisha para Buzz

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Daniela Strieder

Advogada e ioguim, Daniela está sempre com a cabeça nas nuvens, criando e inventando histórias, mas não deixa de ter os pés na terra. Fã de cinema desde pequenina, tem um fraco por trilhas sonoras.
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