Crítica | StreamingFesta do Cinema Italiano

Loucas de Alegria

(La pazza gioia, ITA/FRA, 2016)
Comédia
Direção: Paolo Virzì
Elenco: Micaela Ramazzotti, Valeria Bruni Tedeschi, Valentina Carnelutti, Marco Messeri, Bob Messini, Roberto Rondelli, Anna Galiena, Tommaso Ragno, Sergio Albelli, Marisa Borini
Roteiro: Paolo Virzì, Francesca Achibugi
Duração: 118 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Um novo modo de olhar para as pessoas internadas em instituições para doentes mentais. É o que desperta o novo longa-metragem de Paolo Virzí (Capital Humano), Loucas de Alegria, apresentado na mostra 8 ½ Festa do Cinema Italiano e que chega hoje aos cinemas.

Indo além de estigmas e preconceitos, o diretor concentra a atenção em duas mulheres: Beatrice, uma senhora refinada, que, com mentiras constantes, criou um mundo próprio para viver com seu autoritarismo e complexo de superioridade; e Donatella, uma jovem suicida, condenada por um crime grave, que tem um único objetivo na vida.

Completamente diferentes, passado o estranhamento inicial, Donatella acaba sendo envolvida pelas tentativas de aproximação de Beatrice e as duas tornam-se grandes amigas. Como toda amizade, altos e baixos permeiam a relação, aqui de maneira muito mais extremada do que a habitual, já que as duas têm muita dificuldade em lidar com os próprios sentimentos.

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Diferente de Um Estranho no Ninho, filme de Milos Forman também sobre instituições psiquiátricas, Virzì não tem pretensões de funcionar como denúncia. O que se mostra, sem julgamentos, são os seres humanos, seus sentimentos, anseios e necessidades.

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Enquanto o longa de 1975 é um drama pesado, que deixa um gosto amargo na boca, em Loucas de Alegria, por mais que a história daquelas pessoas seja também pesada, tudo é envolvido em muita sensibilidade e, por incrível que pareça, aventura.

Ponto central do filme, a amizade é exposta de maneira muito doce e, de certo modo, feliz. O sentimento é reforçado pela direção de arte propositalmente colorida, cheia de estampas florais, tons alegres e muitos contrastes.

Muito do resultado se deve às atuações de Valeria Bruni Tedeschi (Amor em 5 Tempos), como a espevitada e divertida Beatrice, e de Micaela Ramazzotti (Anos Felizes), como a retraída e desconfiada Donatella. Enquanto a primeira apareça mais pelo papel efusivo e cheio de arroubos, a segunda chega para equilibrar o que se vê, fazendo muito de maneira discreta e silenciosa.

Loucas de Alegria é bastante seguro no ritmo que escolhe seguir e, embora escorregue um pouco na solução de seus conflitos, consegue emocionar quem o assiste. Mais do que isso, quebra barreiras ao se dedicar a uma história de pessoas que, na vida real, costumam não ter muita atenção.

Um Grande Momento:
Pegando o ônibus.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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