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O Mistério do Farol

(Keepers, GBR, 2018)
Suspense
Direção: Kristoffer Nyholm
Elenco: Peter Mullan, Gerard Butler, Emma King, Gary Lewis, Connor Swindells, Ken Drury, Gary Kane, Søren Malling, Ólafur Darri Ólafsson
Roteiro: Celyn Jones, Joe Bone
Duração: 107min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

O Mistério do Farol

Bastante famoso, o mistério das Ilhas Flannan, conjunto de ilhas conhecido também pelo nome de “Os Sete Caçadores”, na Escócia, instiga a curiosidade de quem ouve falar de sua história. Em 1900, três homens responsáveis pela manutenção do farol na pequena ilha Eilean Mor desapareceram sem deixar vestígio. Após uma forte neblina, que impossibilitara a visão do farol do continente, e depois de um atraso na troca de turnos pelo mau tempo (pelo isolamento do local, cada equipe só poderia ficar lá por 14 dias), o responsável pelas equipes encontrou a mesa posta e as portas trancadas. Nunca se descobriu o que aconteceu com os três homens.

O Mistério do Farol resgata o desaparecimento. Sem prender-se muito a fatos, o diretor dinamarquês estreante na função no cinema Kristoffer Nyholm, com roteiro dos também novatos em longas Celyn Jones e Joe Bone, apresenta uma solução própria para o evento. O filme é estrelado por Peter Mullan (Hector), Gerard Butler (300) e Connor Swindells (da série Sex Education), que dão vida aos faroleiros Thomas, James e Donald, respectivamente. Suas personalidades e o relacionamento entre eles também vêm carregados de imaginação.

O Mistério do Farol (2018)

Depois de uma apresentação rápida, Nyholm dedica-se à interação dos personagens, que serão a força e o motriz da trama, uma vez que o filme se constrói em um espaço restrito e depende essencialmente das atuações. A decisão é acertada e consegue trazer o espectador para dentro da trama, desenvolvendo identificações ou não com cada um deles.

É com os personagens já definidos que o filme parte para seu ponto mais complexo: o desenho do que aconteceu no farol. Se num primeiro momento o movimento pende para o suspense, baseando-se na loucura da solidão, algo comum entre faroleiros – e o filme até é bem didático ao explicar o porquê disso –, o jogo se transforma quando a ação invade a cena e ganha uma atenção muito maior. A quebra poderia não prejudicar tanto se o diretor tivesse optado por trabalhar os dois caminhos conjuntamente, deixando no espectador a dúvida sobre a veracidade daquilo que está vendo, talvez, mas isso não acontece.

O Mistério do Farol (2018)

O longa tem um trabalho cuidadoso de ambientação e de fotografia. Jørgen Johansson (Italiano para Principiantes) é perspicaz, se aproveita bem das locações e sabe criar sensações com os quadros que elabora. O modo variado como filma os três personagens no cômodo comum do farol, destacando a marcação de cena e explorando sentimentos é realmente interessante. Muito do filme também vem da atuação de Mullan. Ele se destaca de seus colegas de cena, que até são esforçados, mas não vão muito além do esperado.

Como massa disforme da mistura de drama, suspense e ação, O Mistério do Farol até consegue entreter, mas que não vai muito além disso. Primeiro por não decidir o rumo que irá tomar e nem que ferramentas usar para transitar entre suas próprias possibilidades, e segundo pela facilidade com que opta retratar sentimentos complexos e pela regozijo com um tipo de exposição exagerada que não casa muito bem com todo o resto do filme.

O Mistério do Farol (2018)

Ao acessar uma história famosa, com teorias várias que vão desde o imaterial até a mais banal fuga, O Mistério do Farol entrega-se ao mais fácil e perde a oportunidade de criar uma trama realmente interessante. Eram muitas possibilidades e até mesmo a solução definida pela ficção, embora frustre os amantes de suspenses sobrenaturais, poderia ser melhor elaborada.

Um Grande Momento:
James não fala.

Links

IMDb
https://www.youtube.com/watch?v=y2SDK7_Mflw

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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