Crítica | Streaming

Olá, Adeus e Tudo Mais

Diga não à pressão

(Hello, Goodbye and Everything in Between, EUA, 2022)
Nota  
  • Gênero: Comédia, romance
  • Direção: Michael Lewen
  • Roteiro: Ben York Jones, Amy Reed
  • Elenco: Talia Ryder, Jordan Fisher, Ayo Edebiri, Nico Hiraga, Jennifer Robertson, Julia Benson, Patrick Sabongui, Dalias Blake, Djouliet Amara
  • Duração: 82 minutos

Clare é… clara (rsrs): ela não quer estabelecer metas concretas para um futuro pós-faculdade com Aiden. Ok, eles se conheceram, se atraíram, ambos são bonitos e, para adolescentes, são duas pessoas interessantes, divertidas e muito sedutoras, em muitos níveis além do físico. Mas, com um passado familiar traumático, a jovem não quer atrelar uma expectativa romântica no amanhã. Para isso faz um pacto com o moço bonito que conheceu e decide passar um ano junto com ele, até eventualmente ser feliz, mas terminar o que quer que seja quando o momento da formatura chegar. Parece um bom plano, não? Mas que vida é assim, tão programada e racional? Isso é Olá, Adeus e Tudo Mais, estreia da Netflix que nos captura bem rapidinho. 

Baseado em um livro de Jennifer E. Smith, o filme é a estreia na direção de Michael Lewen, que realiza com competência o que se propõe, e de maneira surpreendente. Digo isso porque não é fácil convencer o espectador a respeito de um romance que está só começando, e em literalmente 20 minutos já colocar todo mundo para torcer para Clare mudar de ideia. Tá bem, esse era o básico, a ideia mais óbvia para um filme que vai girar exatamente em torno disso – planos são importantes, é sensato que nós os tenhamos, em qualquer época da vida, mas a adolescência cada vez mais se mostra um período injusto para tal. Nas entrelinhas, é isso que a narrativa está querendo dizer, que esse é o pior momento para ser tão definitivo. 

Olá, Adeus e Tudo Mais
Katie Yu/Netflix

O entorno do casal, tirando sua dupla de amigos vividos por Ayo Edebiri e Nico Hiraga, é meio triste de ver, no sentido de estar lá, mas ter pouco mais de um risco para construir contato. São os pais do casal, quase montados de maneira protocolar para que seus históricos sejam criados, e uma revelação interessante seja feita lá pelas tantas. Mas Olá, Adeus e Tudo Mais assume que é basicamente um filme sobre esse casal mesmo, mais especificamente sua última noite juntos, o tal adeus do título. Sendo assim, é melhor mesmo ser conciso e concentrar os esforços coletivos para que o público torça pelo sucesso de Aiden em convencer Clare não a esquecer o rompimento, mas no mais sensato – porque precisam decidir algo que não cabe a eles, não no momento?

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O filme evolui com muita graça e simpatia, mostrando o que o menino programou para esse término épico, e é divertido acompanhar que o tal ano deles quase girou em torno disso, tendo em vista que a cada encontro, um novo conhecido lamenta ou os cumprimenta pela maturidade no assunto, ou coisa que o valha. A tal primeira parada é bastante significativa, porque o espectador não sabe como tudo vai funcionar e as coisas se encaminham de maneira muito festiva para um desfecho de relacionamento, principalmente para um onde ainda exista amor. É lógico que toda essa festa e encantamento e discernimento vão por água abaixo em determinado momento, e isso é esperado.

Olá, Adeus e Tudo Mais
Katie Yu/Netflix

Essa melancolia que invade Olá, Adeus e Tudo Mais é igualmente bem acessada pela condução de Lewen, que é produtor da fofíssima série também da Netflix Love. Cada escolha do filme consegue extrair exatamente o que se espera de tais situações, e isso é mérito dessa produção tão correta quanto eficaz. Lógico que isso não significa estarmos diante de uma revolução no gênero “comédia romântica teen”, mas o filme nem tenta sê-lo e isso é outro mérito seu, saber que sua duração ultra curta (são menos de 1 h e 20) é suficiente para divertir, entreter até emocionar e fazer refletir, aos seus pares, da estupidez de se tomar decisões precipitadas a respeito de assuntos que podem esperar o sabor do acontecimentos. 

Os muito carismáticos e fofos Jordan Fisher (de Dançarina Imperfeita) e Talia Ryder (a fantástica co-protagonista de Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre) entregam absolutamente tudo o que podem como esse casal bem estranho que deve terminar mesmo sem querer. Aiden até vai tentar fazer a cabeça dura da Clare mudar de ideia, mas é a própria vida que se encarrega de mostrar a verdade para ela. Está na sua cara o tempo todo – os problemas não são hereditários, a vida não é uma sucessão de regras imutáveis, e eventualmente a encruzilhada nos mostrará o real sentido dos caminhos. A gente torce não apenas por um final feliz, mas pela sapiência em idade tão prematura: perceber que existe uma diferença entre “eu te amo” e “de boinha”, e que, ambos entendam, tudo tem seu valor. 

Um grande momento
A pinha assada

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Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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