Crítica | Streaming

Vamos Consertar o Mundo

Burocracia familiar

(Hoy se arregla el mundo, ARG, 2022)
Nota  
  • Gênero: Comédia
  • Direção: Ariel Winograd
  • Roteiro: Mariano Vera
  • Elenco: Leonardo Sbaraglia, Benjamin Otero, Charo Lopez, Diego Peretti, Gabriel Corrado, Gerardo Romano, Soledad Silveyra, Luis Luque, Natalia Oreiro
  • Duração: 113 minutos

Ariel Winograd é um diretor argentino que coleciona sucessos de bilheteria, de O Roubo do Século a Sem Filhos, passando por Mamãe foi Viajar, foram todos muito bem de retorno monetário e da aceitação do público local, que se encanta com a capacidade de comunicação de massas do jovem diretor. Estreia da Netflix, Vamos Consertar o Mundo tem as mesmas pretensões do que ele costuma apresentar, contar com a ampla adesão do espectador médio, que se embrenha com facilidade nas narrativas que ele apresenta. Aqui, uma comédia agridoce protagonizada por pai e filho não necessariamente muito dispostos a mudar seu status de relacionamento um com o outro.

Se houvesse uma palavra que definiria o projeto, essa seria inofensivo. Em tese não há qualquer problema em produzir ou promover filmes despretensiosos e realizados com a máxima intenção de passar o tempo de quem o assiste. O problema passa a residir quando a própria Netflix lança com frequência semanal filmes com essas características, sem qualquer risco que possibilite desagrados, sem risco mínimo que seja de apresentar novos caminhos cinematográficos. Quando temos uma oferta muito grande de produtos muito desprovidos de desafio, a tendência é adormecer o próprio senso crítico do espectador, que aceitará a longo prazo esses filmes desprovidos de grandes ambições.

O próprio Winograd não contribui para que seu cinema seja encarado de alguma outra maneira que não essa mesma. É um cinema sossegado, sem chave de sofisticação estética, apenas a tendência de contar sua história da melhor maneira possível, para o mais expansivo público possível. Com isso, cortam-se as possíveis agudezas narrativas, mantendo em eterno fogo médio, permitindo que nenhum traço mais fora dos padrões alcance um mercado estagnado para o novo. Vamos Consertar o Mundo, a bem da verdade, já foi visto muitas vezes e continuará sendo produzido a granel, para a felicidade do fim de noite generalizado.

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No universo do longa, pai e filho nunca tiveram um contato mais próximo. Vivido por Leonardo Sbaraglia, David é um produtor televisivo com um programa de sucesso que não acompanha o crescimento do filme, até que é informado minutos antes da morte da ex-mulher que pode não ser o pai da criança. Logo, o menino descobre também essa possibilidade e o obriga a tentar encontrar esse pai. Já matou o mote, né? Eles obviamente vão se aproximar através dessa jornada e enfim começar a relação que nunca tiveram até então, criando laços inimagináveis e percebendo o que realmente os une. Através da morte da mãe, que fique claro.

Apesar do imenso talento que Sbaraglia já demonstrou até aqui para os nossos lados (O Silêncio do Céu), nem ele e nem o carisma absurdo do pequeno Benjamin Otero conseguem fazer valer um interesse muito evidente em Vamos Consertar o Mundo, porque todas as suas saídas são genéricas. Como Winograd não tem qualquer interesse aparente em contribuir esteticamente para que sua salada repetida tenha ao menos uma moldura diferente, o filme segue na temperatura ambiente sem provocar qualquer tipo de reação mais emocional. A última cena, de profunda entrega, soa até deslocada depois de acompanharmos por quase duas horas uma história tão sem sal.

Um grande momento
O abraço

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Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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