(13th, EUA, 2016)
Documentário
Direção: Ava DuVernay
Roteiro: Ava DuVernay, Spencer Averick
Duração: 100 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Os Estados Unidos é habitado por 5% da população mundial, mas têm 25% da população carcerária do mundo. Basta uma olhada rápida para perceber que há algo muito errado nessa conta, na política penal do país. Política, aliás, que tenta ser copiada pelo Brasil.

A diretora Ava DuVernay (Selma) vai buscar o que está por trás desses números e da própria política carcerária. A origem de tudo, segundo o documentário, está no sistema escravocrata que imperou no país até 1865 – em 1º de janeiro de 1863, Abraham Lincoln proclamou a emancipação dos escravos, algo que só começou a acontecer no fim da guerra. Somente com a aceitação da 13ª emenda, que dá nome ao filme, é que a escravidão tornou-se ilegal no país.

A preocupação com a escravidão, porém, limitou-se à libertação dos escravos, mas não na adoção de medidas de integração, nenhuma previsão de programa estatal para emprego, educação, ou qualquer outra coisa que possibilitasse sua subsistência. Além disso, a resistência dos estados do sul ao fim da escravidão contribuiu para o surgimento de grupos extremistas como a Ordem da Camélia Branca e a Ku Klux Klan.

Com várias entrevistas, 13ª Emenda associa a realidade carcerária à toda a HIstória da população afro-americana do país, percorrendo toda a construção da segregação, que, apesar de menor, ainda persiste; e da legitimação da violência, da Ku Klux Klan, pelo filme O Nascimento de uma Nação, de D. W. Griffith, e da polícia, pela campanha incessante da mídia e dos governos.

E não precisa de muito esforço para expor a conclusão de que o grande problema está lá atrás e se aproveita justamente da 13ª emenda à constituição estadunidense, essa do título, que diz que “não haverá, nos Estados Unidos, ou em qualquer lugar sujeito à sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado”.

Não há no longa-metragem nenhuma intenção de eximir os criminosos de sua culpa. O interesse é mostrar que, assim como no Brasil, a maioria da população carcerária é, “coincidentemente” pobre e afro-descendente.

A construção de DuVernay tem fôlego e casa muito bem imagens de arquivo de várias épocas e presidentes, trechos de filmes, letras de canções e entrevistas para trazer sua visão da situação. E talvez seja nessa tomada de posição que o documentário possa ser criticado. Mas a diretora não se importa em ser tendenciosa e, por mais que se diga o contrário, a força da obra está justamente nisso. E em falar o que precisa ser ouvido e conhecido por todos: a escravidão nos Estados Unidos continua, mas agora legalizada em um sistema prisional que reflete os preconceitos de sua sociedade.

O único problema de 13ª Emenda é a sua duração. Se fosse um pouco menor seria ainda mais eficiente. Mas precisa ser visto.

Um Grande Momento:
Terceiro Strike.

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