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A 24ª Mostra de Tiradentes está chegando

A resistência da criação em tempos de pandemia

Com mais de 100 filmes selecionados, a 24ª Mostra de Tiradentes, evento que tradicionalmente abre o calendário audiovisual do país, acontece de 22 a 30 de janeiro, e vem cheia de gás mesmo em tempos estranhos, sem aquele calor humano e a troca pessoal que tornam a cidade mineira ainda mais especial nesta época do ano devido à pandemia Covid-19. Embora haja distância, o formato mantém-se o mesmo e com tudo feito com muito cuidado e carinho para alcançar um público muito maior com a possibilidade do online. 

Com curadoria de Lila Foster e Francis Vogner dos Reis nos longas, e Camila Vieira, Tatiana Carvalho Costa e Felipe André Silva nos curtas-metragens, o tema central desta edição é “Vertentes da Criação”. A mostra passeia pela resiliência em tempos de obscurantismo, onde a força, resistência e estímulo artístico encontram novas formas, lugares e linguagens para se concretizar.

Segundo Vogner e Foster, é possível perceber uma reconfiguração dos processos na produção, cuja singularidade está condicionada por vários elementos: “universos simbólicos, ética das imagens a partir dos espaços, personagens e territórios, estética amparada em perspectiva crítica do automatismo das práticas da expressão audiovisual do mercado e, principalmente, a economia de um tempo que resiste ao modelo célere de velocidade da circulação do capital”.

Ao explicar a temática, Foster destacou que nos últimos anos não só os filmes, mas todos os encontros deixam muito claras a pluralidade dos processos criativos. Segundo ela, “Não são simplesmente novos modos de produção, mas uma reconfiguração de ideias, procedimentos, motivos e anseios. É o desejo de filmar que se encontra com a necessidade de filmar”.

República é um dos curtas selecionados da 24ª Mostra de Tiradentes
República, de Grace Passô, é um dos curtas selecionados da 24ª Mostra de Tiradentes

Criatividade e isolamento na tela

No universo de mais de 700 inscritos, Camila Vieira, Tatiana Carvalho e Felipe André Silva se deparam com universos muito variados. Um tema, porém, chamou a atenção dos três curadores de curtas-metragens: os filmes realizados durante o isolamento social devido à pandemia Covid-19. “Selecionamos aqueles que conseguiram propor deslocamentos ao estado permanente de tristeza que nos imobiliza”, comenta Vieira, falando sobre filmes que mesmo com as restrições buscaram formas inventivas de realização de cinema e processos de criação.

Em sua estreia na equipe de curadoria, Silva destacou que especialmente a produção de classe média e seus “filmes de pandemia” encontrou dificuldades para se expandir além das temáticas sobre si mesma ou escapar das limitações espaciais impostas pelo isolamento. “Foi então um desafio que nós adotamos, o de encontrar trabalhos que quebrassem com essa lógica”, afirma.

Mas não são apenas os filmes de isolamento que compõem a seleção deste ano, pelo contrário, são muitos os temas e, seguindo a temática, as vertentes de criação. O público da Mostra de Tiradentes terá a chance de assistir a 79 filmes de 19 estados.

Paula Gaitán é a homenageada da 24ª Mostra de Tiradentes
Paula Gaitán é a homenageada desta edição da Mostra de Tiradentes

Paula Gaitán e suas vertentes

A homenageada da 24ª Mostra de Tiradentes é a multiartista Paula Gaitán e não haveria melhor nome para um tema como o escolhido. Inquieta, ela está sempre desafiando os limites com sua arte, experimentando novas maneiras de imprimir e ressignificar nas telas aquilo que gostaria de ver pensado por todos. Em suas manipulações temporais e apropriações de figuras, questiona e, porque não, intervém. 

Ao todo serão exibidos 8 filmes da cineasta: os longas Diário de Sintra, Exilados do Vulcão, Noite e Luz nos Trópicos; o videoclipe de Elza Soares A Mulher do Fim do Mundo; o curta inédito Ópera dos Cachorros, o média também inédito Se hace camino al andar e, em pré-estreia mundial, o filme que a diretora está finalizando para apresentar na abertura do evento. Segundo Francis Vogner, “Homenagear Paula Gaitán é reconhecer a dimensão de uma obra já consolidada e investigar as imagens de um trabalho misterioso e inquieto, de independência e singularidade radicais, que possuem poucos paralelos na produção artística atual”.

Toda a programação da mostra é gratuita e pode ser acessada de todo o Brasil. Além das exibições de filmes, a programação conta com rodas de conversas, debates com críticos convidados, exposições virtuais e shows de Fernanda Abreu e Chico César. Para a noite de abertura está programada uma performance idealizada por Chico de Paula e Raquel Hallak, que deve emocionar como sempre, além da homenagem a Gaitán e um show com Arrigo Barnabé. E para encerrar o festival, nada menos do que um show de Johnny Hooker.

Para mais informações, seleção e programação completa, acesse a página da Mostra de Tiradentes

Redação

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