Crítica | CatálogoFestival do Rio

A Falta Que Nos Move

(A Falta Que Nos Move, BRA, 2007)

Festival do Rio 2009Na antevéspera de natal, cinco amigos se reúnem em uma casa para uma experiência. Juntos devem preparar o jantar para eles e um sexto convidado que não conhecem e não têm certeza se chegará.

Adaptação da peça A Falta Que Nos Move… Ou Todas as Histórias São Ficção, criada e dirigida também por Christiane Jatahy e com um elenco quase idêntico, o filme consegue trazer à telona a sensação de cumplicidade e curiosidade do público com as pessoas que preparam a comida e são conduzidas, de certa maneira, pela ausência deste sexto elemento.

As primeiras imagens, em tela dividida, não são as mais encorajadoras, mas saber que a direção será feita via SMS (mensagem de celular) e que aquele grupo já está junto há quase quatro anos experimentando essa nova linguagem nos palcos desperta a curiosidade necessária para permanecer na sala.

O texto, em parte real, em parte ficcional, é excelente e traz à tona discussões sobre gerações, relações afetivas, família, carências e as dores do ser humano. O trabalho dos cinco atores, todos excelentes como pessoas que seriam e não seriam eles mesmos, é fundamental para validar tudo que acontece e despertar a dúvida. Até que ponto tudo aquilo é encenado? Quanto de realidade existe na encenação?

Volta-se à recorrente discussão sobre o trabalho de um ator na construção de um personagem e na vivência de experiências que não são suas e, ao mesmo tempo, são. Em A Falta Que Nos Move, os atores, para complicar, vivem eles mesmos. Enquanto isso, o público tenta descobrir o que é real sem muito sucesso. O roteiro na parede, os celulares apitando e a repetição de uma cena que acontece fora de hora mostram que nada é tão simples assim.

Muito da experiência teatral se enquadra bem no formato cinema pela presença de Walter Carvalho, que assina a direção de fotografia, e traz junto com ele uma excelente equipe de câmeras com Lula Carvalho, Guga Millet e David Pacheco. A fotografia faz com que a teatralidade das cenas não seja tão gritante.

Ainda assim, algumas opções de enquadramentos e o tempo de algumas passagens e do filme como um todo são complicados. O naturalismo do projeto faz com que ele não seja bem aceito por todo o público e pode cansar e mesmo desagradar. Por outro lado, os que gostam, gostam mesmo.

Sem dúvida, é uma experiência interessante para o cinema nacional e um curioso estudo sobre a interferência da realidade na ficção e vice-versa.

Daqueles que vale a pena conferir.

Um Grande Momento

O brinde.

Drama
Direção: Christiane Jatahy
Elenco: Marina Vianna, Cristina Amadeo, Daniela Fortes, Pedro Brício, Kiko Mascarenhas
Roteiro: Christiane Jatahy
Duração: 95 min.
Minha nota: 7/10

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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