(A Gente Nasce Só de Mãe, BRA, 2017)
Drama
Direção: Caru Roelis
Elenco: Edilaine da Silva, Patrícia Gibson, Leonardo Silva, Bia Correa, Nadson Rosa M. Excorcio, Miguel Campos Novelli, Venício Bulhões
Roteiro: Caru Roelis
Duração: 18 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Em maio de 2016 um caso chocou o Brasil: em Várzea Grande, Mato Grosso, um incêndio destruiu uma casa e matou as três crianças que estavam lá trancadas. Intrigada pelo constante questionamento sobre a mãe e avó das crianças, a diretora Caru Roelis, recupera o caso, apresentando um outro olhar para trágica história em A Gente Nasce Só de Mãe.

Contando com uma equipe toda mato-grossense, o curta-metragem recria na tela muitos dos vários fatos publicados à época. Sempre todos muito voltados à culpabilização da mãe, que deixara os filhos sozinhos para morar com o namorado em Cuiabá, com uma filha de 17 anos – que estava na escola na hora do incêndio – cuidando da casa.

Tomando pelo título, a intenção de Roelis é questionar justamente esse olhar quase obsessivo à mãe para quando eventos como esse acontecem. Mas a intenção não consegue se concretizar. Ao contrário, o que se vê, mesmo que sem querer, acaba voltando à mesma exclusão paterna que critica.

O curta reconstrói o dia fatídico acompanhando a adolescente que cuidava da casa. A sobrecarga emocional e de responsabilidade da jovem, interpretada por Edilaine da Silva, está o tempo todo em evidência. É ela quem se preocupa com o corte de luz, a dinâmica doméstica, os cuidados com o filho, os irmãos e a mãe.

A construção narrativa é simples mas funcional, e apesar de um certo desequilíbrio nas atuações e do sempre incômodo olhar exterior privilegiado, o voltar-se para a questão da mulher periférica que, desde muito cedo, tem que assumir responsabilidades domésticas, jornadas duplas e suportar um peso de culpa além de sua possibilidade, sempre será importante.

Com pontos altos, muito bem realizados, como toda a tensão criada momentos antes do acidente e a realização estética posterior ao dano, A Gente Nasce Só de Mãe consegue se concretizar em tela. Mesmo que não traga o que se espera com o título do curta, tem em seu conjunto a empatia e uma série de outras noções fundamentais.

Um Grande Momento:
Chegando em casa.

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