Em 13 de dezembro de 1968, era emitido o mais duro dos atos institucionais da ditadura militar. O AI-5, assinado pelo presidente Costa e Silva, cassou os mandatos dos parlamentares que eram contrários ao regime, ordenou intervenções em estados e municípios e suspendeu qualquer garantia constitucional, legitimando, inclusive, a tortura.

A partir da promulgação do documento, o presidente, sozinho, tinha autoridade para fechar o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas dos estados e, junto com os governadores, assumiu o poder legislativo. Além disso, o AI-5 previu a censura prévia de qualquer conteúdo artístico, proibiu reuniões políticas não autorizadas, acabou com a estabilidade no serviço público, suspendeu o habeas corpus para crimes de motivação política e deu ao presidente o poder de decretar a suspensão política de qualquer cidadão tido como subversivo, tudo isso sem qualquer possibilidade de revisão judicial.

A Vida Provisória, de Maurício Gomes Leite

Em um momento político atual que flerta com todo o retrocesso que representou o AI-5, aos 50 anos de sua emissão, é importante que os olhos se voltem novamente àquele período que, apesar de toda a censura e brutalidade, e também por causa delas, deixou suas marcas no cinema brasileiro.

Pensando na relevância do período, desconhecido por uns e esquecido por outros, o MIS Cine Santa Tereza apresenta a Mostra Cineclube Comum: Brasil 68, que começa hoje (13) e vai até o dia 21, com 12 filmes do período, muitos deles só exibidos muito tempo depois de terem sido feitos por causa da censura.

Para o Cineclube Comum, realizador da mostra, os filmes selecionados dão uma mostra das marcas deixadas pela ditadura e das alterações que o regime trouxe para o cinema até então produzido, com a reformulação dos pressupostos do Cinema Novo, uma maior reflexão política, o surgimento do Cinema Marginal e o fortalecimento do trânsito entre vanguarda política e o experimentalismo estético.

O Bravo Guerreiro, de Gustavo Dahl

Confira a programação completa:

13/12 – QUINTA-FEIRA, ÀS 19h30
Rosa Rosae (Rosa Maria Antuña| Brasil | 1968 | 5 min)
A Vida Provisória (Maurício Gomes Leite | Brasil | 1968 | Drama | 8 min)
Classificação indicativa: 16 anos
*Sessão comentada por Rubens Gomes Leite e pelo curador da mostra Victor Guimarães

14/12 – SEXTA-FEIRA, ÀS 19h30
A Entrevista (Helena Solberg | Brasil | 1967 | 19 min)
Garota de Ipanema (Leon Hirszman | Brasil |Musical | 1967 | 89 min)
*Sessão comentada por Carla Italiano

15/12 – SÁBADO, ÀS 19h
Um clássico, dois em casa, nenhum jogo fora (Djalma Limongi Batista| Brasil|1968|Drama|30 min)
Blablablá (Andrea Tonacci| Brasil | 1968 | 33 min)
Classificação: 14 anos.
*Sessão comentada por Luís Fernando Moura

16/12 – DOMINGO, ÀS 19h
Meio-Dia (Helena Solberg | Brasil | 1969 | Ficção | 10 min)
Desesperato (Sérgio Bernardes | Brasil | 1968 | Drama | 100 min)
*Sessão comentada por Maria Trika

Desesperato, de Sérgio Bernardes

16/12 – DOMINGO, ÀS 17h
Meteorango Kid, o Herói Intergalático (André Luiz Oliveira | Brasil | Comédia |1969 | 85 min)
Classificação indicativa: 16 anos.
*Sessão comentada por Ana Luísa Coimbra

19/12 – QUARTA-FEIRA, ÀS 19h30
Antes, o Verão (Gerson Tavares | Brasil | Drama| 1968 | 80 min)
*Sessão comentada por Victor Guimarães

20/12 – QUINTA-FEIRA, ÀS 19h30
O Bravo Guerreiro (Gustavo Dahl | Brasil | Drama |1969 | 99 min)
Classificação indicativa: 18 anos.
*Sessão comentada por Vinícius Andrade

21/12 – SEXTA-FEIRA, ÀS 19h
Jardim das Espumas (Luiz Rosemberg Filho | Brasil | Ficção Científica | 1970 | 120 min)
Classificação indicativa: 18 anos.
*Sessão comentada por Letícia Marotta

SERVIÇO
Mostra Cineclube Comum: Brasil 68
De 13 a 21 de dezembro
MIS Cine Santa Tereza
Rua Estrela do Sul, 89, Santa Tereza – Praça Duque de Caxias
ENTRADA GRATUITA
Informações para o público: (31) 3277-4699