Crítica | TV e VoD

Amonite

(Ammonite, GBR, AUS, EUA, 2020)
Nota  
  • Gênero: Drama
  • Direção: Francis Lee
  • Roteiro: Francis Lee
  • Elenco: Kate Winslet, Saoirse Ronan, Fiona Shaw, Gemma Jones, James McArdle
  • Duração: 120 minutos

Em 2017, o inglês Francis Lee estreava na direção do seu primeiro longa-metragem, o filme era O Reino de Deus (God’s Own Country), uma história de amor entre dois homens que recebeu diversos prêmios, entre eles, o de melhor filme britânico no Bafta de 2018. Para seu projeto seguinte, ele escreveu o roteiro de uma outra história de amor homossexual, porém dessa vez, entre duas mulheres.

Para Amonite, Lee convidou a veterana Kate Winslet e a jovem, porém com muita bagagem, Saoirse Ronan, para estrelaram esse drama que se passa em 1840. A história é sobre a paleontóloga Mary Anning (personagem real) que se destaca em um meio totalmente dominado por homens por ter descoberto, quando criança, o primeiro esqueleto de um ictiossauro, uma espécie de “peixe-lagarto” que viveu entre 248 e 65 milhões de anos atrás. Porém, tal feito, não a transformou em uma pessoa bem-sucedida no campo financeiro, isto a faz continuar procurando por outros fósseis, mas, ao mesmo tempo, coletar conchas e objetos marinhos que pudessem ser transformados em souvenirs para turistas.

Ammonite

A sua rotina entediante muda quando recebe a proposta do geólogo Roderick Murchison para que ela seja uma espécie de tutora da sua esposa. Vivida por Saoirse Ronan, Charlotte Murchison é uma mulher mimada e de saúde frágil, contrapondo-se à personalidade de Mary. A aproximação sentimental das personagens acontece através de cenas contemplativas, onde pouco a pouco, Francis Lee revela, não apenas o passado amoroso de Mary, mas também o nascimento do interesse mútuo entre as duas mulheres.

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O interessante nessa dinâmica das personagens, é que, à medida em que a intimidade entre as duas aumenta, novos aspectos das personalidades de cada uma afloram e o filme deixa de ter um ritmo mais cadenciado e ganha um novo andamento promovendo uma inversão de forças. Uma nova Charlotte surge e as fragilidade de Mary também.

Ammonite

Toda construção dessa trama só funciona graças às atuações das duas atrizes. Amonite tem poucos personagens secundários, o que deixa o peso de toda condução da história nos ombros de Winslet e Ronan. A química entre elas flui de uma forma muito natural, incluindo as cenas de sexo, que foram coreografadas pelas próprias atrizes. Diferentemente do filme Azul é a Cor Mais Quente, onde o diretor Abdellatif Kechiche quis ter todo o controle das cenas, chegando a ser acusado de abusos por parte das atrizes, Francis Lee, permitiu que as atrizes tivessem total autonomia para representar da forma que fosse mais confortável para elas. O que acabou tornando a experiência mais orgânica, inclusive. Winslet, chegou a dizer em entrevistas que a cena de sexo foi mais intensa e autêntica que ela já fez.

Mesmo sem ter tido o mesmo sucesso de crítica de “O Reino de Deus”, Amonite também se revela mais um acerto do diretor e roteirista Francis Lee, não apenas pela felicidade na escolha do elenco, mas principalmente pela a sensibilidade na condução da história.

Um grande momento
A noite da despedida

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Mila Ramos

“Soteropaulistana”, publicitária, amante das artes, tecnologia e sorvete de chocolate. O amor pela Sétima Arte nasceu ainda criança, quando o seu pai a convidava para assistir ao Corujão nas noites insones. Apaixona-se todos os dias e acredita que o cinema é capaz de nos transportar a lugares nunca antes visitados. Escreve também no Cartões de viagens imaginárias.
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