(Assassin’s Creed, GBR/FRA/HKG/EUA/MLT/ROC, 2016)
Ação
Direção: Justin Kurzel
Elenco: Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons, Brendan Gleeson, Charlotte Rampling, Michael Kenneth Williams, Denis Ménochet, Ariane Labed
Roteiro: Jade Raymond, Corey May, Patrick Désilets (videogame), Bill Collage, Adam Cooper, Michael Lesslie
Duração: 115 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Com direção de Justin Kurzel, a Ubisoft traz para a telona a adaptação de sua grande franquia do mundo dos games: Assassin’s Creed, com Michael Fassbender no papel principal. Misturando fantasia e ficção científica a saga dos Assassinos percorre vários momentos históricos da humanidade, Cruzadas, Revolução Francesa, Independência dos EUA, entre outros.

Para iniciar essa história no cinema, os realizadores decidiram traçar um roteiro diferente da história dos jogos. O ponto de partida é a inquisição espanhola onde o embate entre o os Assassinos e a Ordem dos Templários foi um momento crucial para toda a trama.

Essa e outras mudanças do que é conhecido nos games e do que foi apresentado na telona, não causa nenhuma diminuição à história. Michael Fassbender é Callum Lynch, um detento condenado à morte que é inserido num projeto científico ultra secreto para entender e acabar com a violência entre os homens.

Nesse programa, os cientistas Sofia (Marion Cotillard) e seu pai Rikkin (Jeremy Irons) descobrem que Callum é descendente de membros da ordem dos Assassinos, e, através de sua memória genética, querem chegar ao passado. Enquanto os Assassinos lutavam pelo livre arbítrio dos homens, os Templários queriam implantar a obediência absoluta aos seus preceitos e crenças. Segundo Sofia, essa é a razão de toda a violência que caminha com a humanidade.

O elenco conta com nomes como Brendan Gleeson e Charlotte Rampling, ótimos atores mas em participações pequenas. Mesmo com mais tempo de tela, Cotillard e Irons não estão em seus melhores dias, e aparecem limitados a uma interpretação correta, previsível.

De qualquer forma, o ponto forte de Assassin’s Creed não são os diálogos ou as interpretações, mas as cenas de ação, em grande parte realizadas sem dublê pelo ator Michael Fassbender. Se dramaticamente o papel não pede muito ao ator alemão, as cenas de ação e sua plasticidade se destacam.

O diretor Justin Kurzel, responsável por recente adaptação do clássico Macbeth, volta a trabalhar com Fassbender, Cotillard e grande parte da equipe em Assassin’s Creed, como o roteirista e o diretor de fotografia.

A equipe é experiente, e os efeitos e cenas de ação são tão bem feitos, em seus elementos futuristas e recriações históricas detalhadas, que convencem na tela sem parecerem artificiais demais. A direção de arte e figurino ainda inserem diversos detalhes que enriquecem toda a história.

O problema em Assassin’s Creed não é técnico, mas sim o fato de ser uma adaptação que se preocupa em demasia com a contextualização da história para um novo público. Há, é claro, aqueles que desconhecem o game ou livros publicados, como o próprio ator Michael Fassbender, que só foi inteirar-se da trama depois de ter iniciado as negociações para o filme. Porém, boa parte de quem assiste ao longa já está familiarizada com o que vai ver.

A adaptação – ou melhor, a contextualização do mundo de Assassin’s Creed – demora a acontecer. É um processo que se repete durante todo o filme, travando seu ritmo e não deixando nunca o público mergulhar na história, como facilmente acontece nos games. Até mesmo a identificação e carisma com o personagem principal demoram para se concretizar. Diante de uma história complexa de fantasia, ficção científica, contextos históricos e outros detalhes, a impressão é a de que os realizadores estão, por diversas vezes, explicando ao público o motor da trama.

Michael Fassbender, que é também produtor, e Justin Kurzel, enfatizaram suas intenções em não ficar presos às expectativas dos fãs ou ao roteiro original do game, o que é plausível. Porém, a opção determina um caminho desconhecido, que talvez se justifique em possíveis sequências, mas, por agora, deixou a desejar.

Um Grande Momento:
Aguiar e a Inquisição.

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