(Hacksaw Ridge, AUS/EUA, 2016)
Guerra
Direção: Mel Gibson
Elenco: Andrew Garfield, Richard Pyros, Jacob Warner, Milo Gibson, Teresa Palmer, Hugo Weaving, Rachel Griffiths, Goran D. Kleut, Harry Greenwood, Damien Thomlinson, Ben O’Toole, Vince Vaughn
Roteiro: Robert Schenkkan, Andrew Knight
Duração: 139 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Dirigido por Mel Gibson, Até o Último Homem narra a saga de Desmond Doss (Andrew Garfield), história baseada em fatos reais de como ele se manteve ligado a suas convicções anti-violência, servindo seu país na Segunda Guerra Mundial sem portar qualquer tipo de arma.

Os traumas de Desmond com a violência tiveram início já em sua infância, após incidente com o irmão e, principalmente, com a controversa presença do pai, Tom Doss (Hugo Weaving), um ex-soldado condecorado na Primeira Guerra Mundial. A violência do pai deixou marcas na personalidade do jovem, e, junto à criação cristã, enfatizou ainda mais a convicção de jamais propagar a violência. Porém, ao atingir a idade militar, Desmond se alista na Segunda Guerra Mundial, partindo para um contexto que contraria completamente suas convicções.

O roteiro e a direção longa adotam um ritmo bem interessante. A origem da história e o período no quartel são explorados de forma dinâmica e detalhada. Não há pressa em avançar e, por outro lado, o filme não se demora nesses detalhes mais do que o necessário. Tudo colabora para o andamento da narrativa até o momento principal, onde as ações e os feitos de Desmond se tornam épicos.

Com seis indicações ao Oscar, incluindo melhor filme e direção, o longa conta com um elenco renomados, com nomes como Vince Vaughn, Teresa Palmer, Sam Worthington e Rachel Griffiths. O destaque ficam com as atuações de Andrew Garfield, também indicado a melhor ator, e, principalmente, Hugo Weaving.

As cenas de guerra são muito bem construídas. Como de costume, Gibson opta por cenas extremamente fortes. Assim como em Coração Valente (1995), A Paixão de Cristo (2002), e Apocalypto (2006), o sangue e a dor são expostos sem nenhum tipo de censura.

A batalha registrada acontece em Okinawa e, como de costume também, o diretor não perde tempo ou não se preocupa em imprimir qualquer traço humanitário aos opositores de seus protagonistas. Não é difícil ver o exército japonês bem próximo do que seria um exército zumbi, ao passo que os soldados americanos são rodeados de uma aura pura e heróica. Da mesma forma, a construção do personagem principal padece do mesmo vício de parcialidade e não há nenhuma preocupação em explorar traços controversos, presentes em qualquer ser humano.

Não há duvida que Mel Gibson sabe contar histórias, tem habilidade para construir cenas fortes e marcantes. Essa frieza ou determinação em chocar não é gratuita. Citando exemplos, seria até hipócrita amenizar o sofrimento de Jesus Cristo na cruz ou os horrores que acontecem nas guerras. Contudo, essa “sinceridade” do diretor é mantida até a página dois. Seja por questões políticas ou religiosas, seus filmes tratam os conflitos e os diferentes lados com uma parcialidade que incomoda, mas que o diretor não faz questão de esconder.

Indicado também a melhor mixagem e edição de som, e edição, Até o Último Homem resiste à visão unilateral do diretor, que, por sua vez, no que se refere a construções das imagens e sequências, realiza um ótimo trabalho aliado a outros processos técnicos, como fotografia, som e trilha sonora.

Se não é possível ignorar as controvérsias ao assistir ao longa-metragem, por outro lado não é necessário ser displicente ou menos crítico para chegar ao fim do filme e reconhecer que é um bom trabalho.

Um Grande Momento:
“Me ajude a salvar mais um…”

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