(La La Land, EUA/HKG, 2016)
Musical
Direção: Damien Chazelle
Elenco: Ryan Gosling, Emma Stone, Terry Walters, Callie Hernandez, Jessica Rothe, Sonoya Mizuno, Rosemarie DeWitt, J.K. Simmons, John Legend
Roteiro: Damien Chazelle
Duração: 128 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Depois de surpreender todo mundo com seu Whiplash, o diretor Damien Chazelle chama a atenção e faz de seu La La Land: Cantando Estações um dos filmes mais bem sucedidos da temporada. Depois de ganhar o Globo de Ouro, o Bafta e outros, aparece com 14 indicações ao Oscar. Entre elas estão a de melhor filme e melhor direção.

Se a precisão da montagem e da edição de som se mantém neste novo filme, é no apego à música, mais especificamente ao jazz, que está a principal conexão com o longa anterior. Ali se pode vislumbrar o controle que Chazelle tem dos elementos cinematográficos, na construção cênica e na direção de atores, mas é em La La Land que isso se confirma.

Com uma história simples, embora apresente uma constituição dos protagonistas mais complexa, o musical romântico tem seus problemas e esterilizações, mas é cheio de momentos marcantes e cinematograficamente impressionantes, como a cena no cinema e o flashback.

Quem não viu o filme deve pular os próximos dois parágrafos, pois eles contêm spoilers.

Depois de mesclar o encontro chato de Mia e a decepção de Sebastian, o diretor constrói uma busca que se encerra diante de uma tela de cinema, com a personagem de Emma Stone iluminada pelos créditos do clássico Juventude Transviada. A cena desperta a realização no espectador, mas Chazelle em seguida volta a brincar com a ansiedade, no jogo do tocar as mãos. A identificação com os eventos é palpável e a absorção do público, causada pelo encantamento visual gerado, trazem para dentro do espectador a sensação dos personagens.

Outro momento de destaque é o pseudo-flashback no café, ao final do longa. Como um clipe para a música que esteve presente durante todo filme, com um trabalho de luz e contando com a interpretação precisa dos atores, o diretor traz a quem assiste ao filme aquilo que se queria ver e, além de acertar no tom, na construção e no tempo, busca no próprio espectador a profundidade de sua sequência. É o cinema que sai conscientemente da tela para buscar a referência no público e aposta aí as suas fichas. No mínimo, interessante.

Continuando, agora sem spoilers, nem tudo funciona muito bem em La La Land. Há uma intenção de fazer o registro dos personagens fora do tempo, talvez numa tentativa de buscar a atemporalidade nas relações ou na simples e óbvia homenagem aos musicais – e aí cinema – dos anos de ouro de Hollywood. A execução, porém, deixa o que se vê incongruente com os dias atuais, principalmente na apresentação de Mia.

Além disso, sabe-se que o fato de optar por um musical, principalmente com atores não-cantores, afasta uma boa parte do público que tem uma dificuldade de se envolver com esse tipo de filme.

Outra coisa que chama atenção para o lado negativo está, curiosamente, em uma qualidade: a precisão de Damien Chazelle. Mal comparando, assim como o jogador de futebol Kaká, o diretor tem toda a técnica, toda a prática. Sabe que elementos e efeitos usar e em que momento eles farão a diferença, mas falta aquele lampejo de improviso, a desenvoltura que vemos em jogadores como Ronaldo Fenômeno, só para manter a comparação. O que também se aplica à atuação de Gosling quando ele precisa dançar.

Porém, nem mesmo todos esses problemas são capazes de diminuir a força de La La Land: Cantando Estações, pois há ali um grau de conexão com o espectador impossível de ser ignorado. É difícil sair da sala sem se lembrar de alguém.

Um Grande Momento:
O pseudo-flashback.

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