Crítica | Streaming e VoD

Bartkowiak

Desperdício de costuras

(Bartkowiak, POL, 2021)
Nota  
  • Gênero: Ação
  • Direção: Daniel Markowicz
  • Roteiro: Daniel Bernardi
  • Elenco: Szymon Bobrowski, Janusz Chabior, Zofia Domalik, Jan Frycz, Joanna Kocyla, , Damian Majewski
  • Duração: 91 minutos

Muitas grandes novelas e muitos filmes vagabundos já usaram e abusaram dessa premissa: um conglomerado vilanesco deseja comprar uma área grande de zona urbana para um empreendimento do mal, e para tal pretende comprar na base da intimidação todos os imóveis possíveis, até bater de frente com alguém que não se vende. Estreia de hoje da Netflix, Bartkowiak é uma nova produção polonesa do canal e promete mais um desses misteriosos sucessos de títulos ordinários que o público consome sem contra indicação. Isso não significa que o longa seja necessariamente bom, mas que o streaming consegue ler com facilidade o gosto do seu espectador.

Com toda a textura de um produto televisivo de baixa qualidade, o filme dirigido por Daniel Markowicz entrega o mínimo que se espera de uma produção com intenções de entretenimento puro. Ainda assim, esse tanto é pouco para que não seja percebido certo desleixo na construção de suas imagens, que se mostram amadoras em muitos momentos, incluindo um excesso de utilização de sangue computadorizado sem qualquer cerimônia. Com uma narrativa tão básica, espanta que Bartkowiak não tenha tentado se refinar onde podia ganhar pontos, e siga com intenções ainda mais modestas.

Bartkowiak
© Netflix

O filme desperdiça também as costuras que poderiam trazer algum diferencial ao seu roteiro. Um dos exemplos é o pontapé inicial da produção, que sai do universo do MMA do qual o protagonista faz parte; tal universo rende essa abertura e muito pouco além disso, a um ponto de não sabermos quais foram os motivos dessa particularidade a não ser criar uma razão que justifique o fato dos personagens se baterem adoidado; na prática narrativa, nada dessa fatia se mantém fortalecido. Outro exemplo é uma briga entre duas famílias em cena, uma de mocinhos e outra recheada de bandidos, mas que nunca abre suas estruturas para entendermos melhor suas divisões e relações, nada exploradas.

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Quando percebemos que Bartkowiak tem um trio de protagonistas muito bem azeitado, principalmente entre os dois personagens masculinos, essa ausência de exploração de suas raízes se torna ainda mais lamentável. A relação conturbada entre Tomek e o treinador que também é seu tio é rica e rende os melhores momentos do longa, através do carisma que os atores apresentam e a própria dubiedade dessa parceria, cheia de revezes. Contribui para isso que Jozef Pawlowski e Szymon Bobrowski estejam muito conectados às suas funções e correspondam com muita garra a um filme que não os valoriza como um todo.

Bartkowiak
© Netflix

O trabalho do roteirista inexperiente Daniel Bernardi, unido ao seu xará Markowicz na direção, é enfim um conjunto de solavancos cujas funções em Bartkowiak diminuem seu potencial, deixando para seus talentosos atores o trabalho difícil de se movimentar sozinhos, com texto e imagens aquém do que poderiam apresentar, profissionalmente. Se nos anos 1990, Jean-Claude Van Damme encarou alguns filmes que poderiam partir dessa premissa, o astro belga felizmente trabalhou com nomes como os de Ringo Lam, John Woo e Tsui Hark, quem em tudo são melhores do que é apresentado nesse genérico.

Um grande momento
O reencontro no ringue

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Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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