Crítica | Cinema

Dupla Explosiva 2: A Primeira-Dama do Crime

(Hitman's Wife's Bodyguard, EUA, GBR, 2021)
Nota  
  • Gênero: Ação
  • Direção: Patrick Hughes
  • Roteiro: Tom O'Connor, Phillip Murphy, Brandon Murphy
  • Elenco: Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson, Salma Hayek, Antonio Banderas, Morgan Freeman, Richard E. Grant, Frank Grillo
  • Duração: 100 minutos

Michael Bryce e Darius Kincaid estão de volta e como é bom estar com eles de novo, mas, como diz o título, não são eles a principal atração em Dupla Explosiva 2: A Primeira-Dama do Crime. É a vez de Sonia, o amor da vida do assassino que ninguém pode matar mostrar todas as suas habilidades. Com menos — um pouco menos — de objetificação de seu corpo, Salma Hayek chega para dividir a tela com a dupla e acaba tomando conta do filme. Agora, os três precisam trabalhar juntos para impedir que um supervilão destrua a Europa. Ele é Aristotle Papadopoulos, vivido por um exagerado e divertido Antonio Banderas, e seu objetivo é fazer com que a Grécia assuma novamente seu papel de país mais importante do mundo.

O filme, dirigido por Patrick Hughes, que assinou o filme anterior e também foi o responsável por Os Mercenários 3, sabe que pode se aproveitar da química e de todo o carisma da dupla Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson. Contando com o timing cômico de ambos, aposta alto num humor que só tem a ganhar com a entrada de Hayek. Se em Dupla Explosiva ela já fez rir com sua sequência sangrenta no bar ao som de “Hello” de Lionel Richie (lembrada para que a gente não se esqueça de qual é a música do casal), aqui ela vai muito além disso, ainda que vez por outra haja uma estereotipização um pouco incômoda.

Dupla Explosiva 2: A Primeira-Dama do Crime
© David Appleby/Lionsgate

A contraposição das eternas chatice de Bryce e a insanidade de Kincaid provocam vários momentos divertidos e encontram em Sonia um lugar acolhedor e impulsivo para se equilibrar. Tudo é muito intenso, extremo e engraçado. Além do humor, Dupla Explosiva 2 tem adrenalina para dar e vender. Tem tiro, explosão, fuga e perseguição para todo lado e, Banderas chega — nem dos ternos mais ridículos do cinema, diga-se de passagem — para dar um toque especial na correria. Até Morgan Freeman, numa participação especial como um triplo A aposentado, aparece para dar a sua contribuição na intensidade da ação.

Apoie o Cenas

Hughes brinca o tempo todo com conexões, deita Bryce no divã e o coloca em delírios de repetição, reverte considerações estéticas, toca em determinações sociais, cita o etarismo e não perde uma chance de trazer lembranças cinéfilas. Ele também faz questão de deixar evidente que não tem nenhuma intenção de passar mensagens ou fazer pensar com seu Dupla Explosiva 2. O roteiro toma emprestado vários elementos de uma fórmula que já vem se mostrando bem sucedida há, pelo menos, 30 anos, e incorpora outros que, do mesmo jeito, estão ali com o único objetivo de construir um passatempo eficiente e divertido.

Dupla Explosiva 2: A Primeira-Dama do Crime
© David Appleby/Lionsgate

São figuras marcantes, momentos divertidos, reviravoltas e aquela ação que faz a cabeça dos que gostam do gênero. E isso numa sequência, algo que poderia dar errado, visto o desgaste natural dos personagens, uma vez que é natural que aconteça, mas novos elementos e uma trama independente fez a diferença.

Dupla Explosiva 2 é um daqueles filmes que, apesar de toda a violência e todo o sangue, cumpre bem o seu papel de entreter. Com uma historinha que tem como principal objetivo fazer com que Michael, Darius e Sonia possam dividir o mesmo espaço e tenham a chance de se encontrar com seus passados — e, assim, com Aristotle e Senior — até chegar à esperada contagem regressiva da bomba. Nada que não seja esperado, mas que vai garantir boas risadas e aqueles momentos mirabolantes em carros descendo escadas, fugas de lancha, helicópteros explodindo e um tanto de outras coisas mais.

Um grande momento
Carmen

Gosta das críticas do Cenas? Apoie o site!

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
Botão Voltar ao topo