Crítica | Streaming

Behind the Curtain: Todrick Hall

(Behind the Curtain: Todrick Hall, EUA, 2017)
Documentário
Direção: Katherine Fairfax Wright
Roteiro: Katherine Fairfax Wright
Duração: 100 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Dançar e cantar tem sido a vida de Todrick Hall desde a infância. Gay assumido e transformista, o coreógrafo começou a ficar conhecido por seu canal no Youtube, onde cantava e criava performances para músicas conhecidas e para composições próprias. Em 2016, ele concluiu seu projeto mais ousado: em duas semanas comporia um musical biográfico inspirado em O Mágico de Oz, idealizando canções e também todos os clipes para as músicas. Straight Outta Oz confirmou o talento de Todrick, tornando-o conhecido e levando-o a seu primeiro papel de protagonista na Broadway, com o musical Kinky Boots.

O documentário Behind the Curtain: Todrick Hall, de Katherine Fairfax Wright, usa a história do vídeo álbum para desvendar o artista por trás da obra. Relações familiares e amorosas, a militância contra a homofobia, a dedicação ao balé, o espaço encontrado no Youtube e as muitas tentativas de constituir uma carreira formal longe da rede social são intercaladas por vários momentos criativos relacionados a sua obra mais conhecida.

A genialidade que se constata logo nos primeiros momentos do filme vem acompanhada de detalhes sobre a personalidade por vezes egoísta e imatura do artista. O modo como ele se posiciona com seus companheiros de cena e de vida acaba trazendo a realidade de alguém que tem a noção de sua grandiosidade criatividade e, por isso, tem dificuldade em aceitar posições que não estejam à altura daquilo que espera dos outros. Esta antipatia despertada, entretanto, sempre se rende a novos momentos de constatação da criatividade, tão impressionantes que são capazes de reaproximá-lo.

Além dos bastidores, as relações que se destacam são aquelas com a mãe e a avó, em momentos que trazem uma doçura que nem sempre pode ser sentida quando se acompanha o compositor e coreógrafo em ação. É quando o humano sobrepõe-se ao astro. O mesmo pode ser dito da passagem que relembra seu primeiro namorado. Além de ter uma noção desses relacionamentos além dos palcos e telas, há uma dedicação especial às músicas que remetem a eles. As passagens onde se conhece sua melhor amiga e a vê apresentando a música dedicada à mãe, por exemplo, são emocionantes até para aqueles que não tiveram a oportunidade de conhecer a bela canção Lions and Tigers and Bears.

Outros momentos tocantes são aqueles relacionados à posição de Todrick quanto sua importância enquanto símbolo para vários homossexuais negros ao redor do mundo. O modo como fala da falta de representatividade durante toda uma vida é fundamental e relevante para que, além de uma cobrança, compreenda-se boa parte de sua obra.

Fairfax Wright ainda inclui em seu documentário eventos que abalaram Todrick e sua equipe, como o atentado contra homossexuais na boate Pulse, e o assassinato da cantora e Youtuber Christina Grimmer, ambos ocorridos em Orlando, durante a turnê de Straight Outta Oz.

Ainda que quadrado em sua forma e encantado com seu objeto de estudo, Behind the Curtain: Todrick Hall é um filme importante por conseguir contemporizar a história que conta e, mais, por apresentar um dos grandes nomes do teatro/vídeo musical dos últimos tempos.

Um Grande Momento:
Pulse.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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