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Berlinale 2020: Marco Dutra e Caetano Gotardo falam de Todos os Mortos

Quem olha para os editais de parceiros públicos e privados, irá destacar uma imensa paralisação do setor audiovisual. Como os filmes são planejados com muita antecedência, os filmes na Berlinale 2020 são uma prova de teimosia de muitXs diretorX durante a gestão de Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Foto: Jens Koch/Berlinale

De passagem pela Alemanha, os diretores Marco Dutra e Caetano Gotardo trazem para a Mostra Competitiva da Berlinale “Todos os Mortos”. O cinema brasileiro encontra-se em seu melhor momento. Parece paradoxo? Parece.

Tivemos um encontro informal, de aproximadamente 25 minutos no café do primeiro andar do complexo de salas CINEMAX, em Potsdamer Platz, centro turístico e comercial, pouco antes de irem ao cinema, assistir ao filme brasileiro, Meu Nome é Bagdad, dirigido por Caru Alves de Souza e exibido na mostra Generation, dedicada a crianças e adolescentes.

Cenas de Cinema: Eu estive na cerimônia de gala, no Berlinale Palast, e na coletiva de imprensa onde a produtora Sara Silveira fez um Manifesto, para alarmar a imprensa internacional sobre o que acontece no Brasil. Como foi que a Sarinha entrou no projeto de Todos os Mortos?

Marco Dutra: A gente tem uma relação muito antiga com a Sara. A gente se conheceu em 2005, quando eu estava com um curta em Cannes e ela estava com Os Urubus. Ao ganhar o edital para rodar o curta-metragem Um Ramo, precisávamos apresentar uma produtora associada. O Daniel Chaia, que era assistente do diretor Carlos Reichenbach e que trabalha muito com a Sara, disse: “Vai bater na porta da Sara! Ela vai querer fazer!”. De fato, levamos o projeto pra ela, que gostou, mas disse: “Meu interesse não é fazer curtas. Gostei do trabalho de vocês, mas me apresentem um projeto de longa. Ai eu e a Juliana mandamos o projeto Trabalhar Cansa, que foi o nosso primeiro trabalho com ela.

Caetano Gotardo: Trabalhei pela primeira vez com a Sara com Menino japonês em 2009. Nós começamos a trabalhar com curtas. Ela nos abraçou muito porque a Sara é essa figura incrível dentro do cinema brasileiro. Trabalha há muitos anos, sabe fazer muito bem, é muito honesta. É muito bom trabalhar com ela e com a sócia dela, Maria Ionescu. São pessoas com as quais trabalhamos com muita confiança e têm uma paixão por olhar para novos talentos. A Dezenove Som e Imagens é uma produtora ligada num cinema que é difícil de vender. O que elas buscam é o cinema do qual gostam e no qual acreditam, se dedicando totalmente. É muito forte trabalhar com elas. O projeto Todos os Mortos elas abraçaram de cara e estão conosco desde 2012, quando começamos a pensar o projeto.

Foto: Hélène Louvart/Dezenove Som e Imagens

Filmes que não chegam ao Oscar

CdC: O presidente do Brasil fala que o filme brasileiro não é bom o suficiente, porque “não chega nos Oscars”. Aí aparece uma mulher que é indicada na categoria de melhor documentário, pela primeira vez na história do Brasil. Qual é expectativa para o lançamento do filme em circuito nacional no atual contexto político brasileiro?

CG: A gente vai lançar. Trabalhamos com a Vitrine Filmes, que lançou Bacurau e que é uma distribuidora muito forte e empolgada em lançar filmes brasileiros.

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Fátima Lacerda

Fátima Lacerda é carioca, radicada em Berlim e cobre o festival desde 1998. Formada em Letras no R.J e Gestão cultural na Universidade "Hanns Eisler", em Berlim é atuante nas áreas de Jornalismo além de curadora de mostras. Twitter: @FatimaRioBerlin | @CinemaBerlin
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