Crítica | Streaming

Caminhos de Sangue

(American Dreamer, EUA, 2018)
Suspense
Direção: Derrick Borte
Elenco: Jim Gaffigan, Robbie Jones, Isabel Arraiza, Alejandro Hernandez, Curtis Lyons, Eric D. Hill Jr., Brian K. Landis, Harrison Fall
Roteiro: Derrick Borte, Daniel Forte
Duração: 92 min.
Nota: 2 ★★☆☆☆☆☆☆☆☆

Jim Gaffigan (Belas e Perseguidas) é conhecido por sua veia cômica, além de vários filmes de humor, tem um show de comédia com seu nome e nunca abandonou o stand-up. Embora já tenha estado em outras produções bem distantes do gênero, como O Legado Kennedy, o ator nunca tinha chegado nem perto do que é Caminhos de Sangue, filme não lançado nos cinemas brasileiros, mas disponível agora no Telecine.

O filme conta a história de Cam, um descompensado motorista de aplicativo que faz bicos como motorista particular de um traficante. Sem poder aproximar-se do filme e devendo a pensão alimentícia, ele consegue dar um jeito na situação fazendo todas as piores escolhas possíveis.

Um emaranhado de apelações, Caminhos de Sangue tenta ser um thriller, e até consegue despertar as sensações de desconforto que busca, mas todas elas parecem não levar a lugar algum. A apresentação do personagem ocupa quase todo o primeiro ato e as cenas, muitas delas que se repetem, não são suficientes para isso. É como se a preocupação com a manipulação do público fosse mais importante do que aquilo que conta.

Na virada, quando Cam começa a executar seu plano, o filme consegue se equilibrar no ritmo. Há tensão e ansiedade, mas há também gratuidade, uma gratuidade meio inconcebível para tudo que vinha sendo apresentado até então. O diretor Derrick Borte (Amor por Contrato) que também é o roteirista do filme ao lado de Daniel Forte (H8RZ), parece não saber para onde ir e apela para o grafismo, algo que chega perto do deselegante.

Outro incômodo vem pela determinação dos coadjuvantes, Todos negros ou latinos, nenhum deles recebe qualquer atenção dos roteiristas, é como se ali estivessem apenas em função de Cam. Até mesmo a única tentativa de elaborar uma persona, no caso de Mazz (Robbie Jones, de Shaft), é insuficiente. Aí se chega a um outro problema do filme. Cam é o dono das ações mas, para ter coerência, precisa da participação dos outros personagens, aqueles que não tem qualquer profundidade, em tramas paralelas. O que era gratuito fica ainda mais ofensivo.

Embora tenha um Gaffigan esforçado e bem competente no papel do motorista Cam, o filme é uma confusão e uma mistura sem fim de péssimas ideias, dentro e fora da tela. Se percebido de onde tirou sua inspiração (está em vários detalhes, mas reparem no nome que ele dá no hotel), fica ainda mais vergonhoso.

No final, Caminhos de Sangue é um filme que tenta ser elaborado, mas não tem nada demais. Apela nas composições e nos eventos e faz questão de decorar tudo com uma trilha sonora pretensamente discreta, mas manipuladora. Se provoca alguma emoção com cenas pontuais, não sabe como conectar isso. Um desperdício de tudo.

Um Grande Momento:
Os policiais no prédio.

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IMDb

Assistir no Telecine

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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