Crítica | Streaming

Confinamento

Onde estaremos depois que os tempos de pandemia se forem?

(Locked Down, GBR, EUA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Comédia
  • Direção: Doug Liman
  • Roteiro: Steven Knight
  • Elenco: Chiwetel Ejiofor, Anne Hathaway, Ben Stiller, Ben Kingsley, Stephen Merchant, Mindy Kaling, Lucy Boynton, Mark Gatiss, Claes Bang, Dulé Hill, Jazmyn Simon, Sam Spruell, Frances Ruffelle
  • Duração: 118 minutos

Pessoas partem, sentimentos se desfazem, relacionamentos esmorecem. O teste é de paciência, de sanidade e também de afeto. Confinamento traz essas questões tão do momento e tão nossas atravessadas pelas ótimas atuações de Anne Hathaway e Chiwetel Ejiofor. Dirigido pelo habitué da ação Doug Liman (Sr. e Sra. Smith) e escrito por Steve Knight (de Coisas Belas e Sujas) — sendo que o roteirista e criador de Peaky Blinders se redime aqui após o desastroso thriller Calmaria, também com Hathaway.

Confinamento é sobre um ex-casal que, após uma década de união, já não mais se suporta e ambos têm dificuldades para imaginar mais tempo juntos e isolados. Paxton é um motorista que vive de bicos e ainda quer tentar fazer o casamento prosseguir; Linda, a CEO de uma empresa que representa grandes lojas de luxo como a Harrods, está irredutível quanto a querer o divórcio. Entre brigas sobre fazer pão incomestível, invadir o espaço do outro e demissões via Zoom, eles tem que seguir convivendo até o fim do lockdown.

Confinamento

Filmes sobre confinamento, isolamento em tempos de pandemia COVID-19, têm sido feitos e lançados em profusão por todos os cantos do mundo. Aqui no Brasil, as curadorias de mostras e festivais estão inundadas por filmes pálidos e insípidos que não conseguem ir além das obviedades na exploração do tema. Nesta produção hollywoodiana, a jogada inteligente é a utilização pela direção de outras fontes de captação de imagem como webcam, celular e câmeras de vigilância para dar a ambiência do real vivido pelo casal comum, com não só situações naturalizadas pelas vivências mas também pelos suportes utilizados.

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E, narrativamente, a guinada no drama “nada romântico” ocorre quando este se torna um filme de roubo (ou heist) onde Paxton e Linda planejam roubar um diamante avaliado em 3 milhões de dólares na Harrods — cuja loja de Londres está em vias de fechar — e colocar uma réplica no lugar, só pro prazer de cometerem uma transgressão. Para além da liberdade que o dinheiro pode gerar, eles ainda almejam reverter um terço do valor da joia para o Sistema Nacional de Saúde britânico e ajudar no combate à pandemia.

Confinamento

“Vocês vão cuspir na cara do monólito global”

O ritmo de Confinamento oscila um pouco até o ponto de virada, que joga na sequência de ação, mas não deixa de prender a atenção e divertir, como a cena em que Linda tenta meditar e não surtar com Paxton logo depois de ele sair mais uma vez para atazanar os vizinhos recitando T.S. Elliot.

Somado ao fato de que Hathaway e Ejiofor tem boa química, o elenco conta com participações impagáveis de Ben Stiller como o chefe de Linda e Mark Gatiss como o colega simplório porém surpreendentemente anarquista.

Um Grande momento
Edgar Allen Poe

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Lorenna Montenegro

Lorenna Montenegro é crítica de cinema, roteirista, jornalista cultural e produtora de conteúdo. É uma Elvira, o Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e membro da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA). Cursou Produção Audiovisual e ministra oficinas e cursos sobre crítica, história e estética do cinema.
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