Crítica | TV e VoD

Deerskin: Estilo Matador

(La Daim, FRA, 2019)

  • Gênero: Terror
  • Direção: Quentin Dupieux
  • Roteiro: Quentin Dupieux
  • Elenco: Jean Dujardin, Adèle Haenel, Albert Delpy, Coralie Russier, Laurent Nicolas, Marie Bunel, Pierre Gommé
  • Duração: 77 minutos
  • Nota:

Vamos literalizar o retorno ao estado mais primordial, ao instintivo, ao animal. Mas nada de maneira muito fácil e gratuita. Temos metáforas, alegorias, substituições, pois aqui estamos falando de Quentin Dupieux (Wrong) e de mais uma de suas fábulas complexas sobre a obsessão.

Deerskin: Estilo Matador é mais um exemplar nonsense onde um homem, o recém separado Georges, vai às últimas consequências. O diretor francês brinca com os elementos e altera a ordem e a estrutura pré-estabelecida dos signos para falar sobre a fragilidade da masculinidade.

Deerskin: Estilo Matador

Diferente do lugar-comum, ele não se despe para voltar à natureza, mas se veste gradualmente de cervo, um animal reconhecido por sua posição desfavorável na cadeia alimentar e nos campos de caça pelo mundo.

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O filme, que conta com Jean Dujardin (O Artista) e Adèle Haenel (Retrato de uma Jovem em Chamas) no elenco, é dividido em duas partes. A primeira está focada na obsessão de George e é mais observacional, dedicada ao estranhamento da construção das personas e das situações. Dupieux não facilita, embora saiba trabalhar o humor, vai entregando as pistas gradualmente, até que seu quebra-cabeça comece a fazer sentido.

A segunda parte dedica-se à ação, quando o resultado de todo o bege adquirido – em mais uma substituição, já que o vermelho aqui também não tem lugar – funde-se em frenéticas sequências de slasher. Nada inesperado para o cinema de Dupieux, que é um contumaz mesclador de gêneros e referências.

Deerskin: Estilo Matador

Ao chegar ao final do filme, absolutamente toda a jornada que parecia não fazer nenhum sentido, ganha coerência. No fundo, Dupiex faz isso, capricha com cores exageradas – ou com o bege exagerado – e cria alegorias para coisas que são extremamente humanas e comuns.

Deerskin é um longa sobre um cara que não sabe lidar com a perda e que delira sobre o caminho para encontrar o seu lugar de volta no mundo. Ou sair dele de vez.

Um Grande Momento:
Alcançando o objetivo.

[Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro 2019]

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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