Críticas

Disforia

(Disforia, BRA, 2019)
Terrornero
Direção: Lucas Cassales
Elenco: Rafael Sieg, Martha Brito, Ida Celina, Vinícius Ferreira, Isabella Lima, Janaína Kremer Motta, Gabriela Poester, Kaya Rodrigues, Suzana Witt, Juliana Wolkmer, Manoela Wunderlich
Roteiro: Lucas Cassales, Thiago Duarte
Duração: 90 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Disforia é um doença psicológica que faz com que o indivíduo alterne estados depressivos e de ansiedade. É como o estar sempre em um lugar longe de seu estado normal e ainda sujeito a quedas vertiginosas de difícil regeneração. Em seu longa de estreia, um intrincado terror psicológico, Lucas Cassales representa a instabilidade da doença, dando uma forma ao sentimento na sequência de eventos que invade a vida de Dário, vivido por Rafael Sieg (Ainda Orangotangos).

Ele é um psicólogo que, depois de um tempo afastado por um trauma, volta a clinicar. Especialista em crianças, tem como atribuição acompanhar uma menina também instável que causa sobressaltos a todos aqueles que estão a sua volta. Logo nos primeiros contatos com Sofia, o ainda desestruturado Dário vai agravando o seu estado.

Disforia (2019)

Criando o suspense com seu tempo dilatado e seus pouco explicados eventos, o longa-metragem aposta no sufocamento. Seja com imagens marcantes, pontuadas pelo vermelho sangue, ou com a espera formulada pelo alongamento dos planos, a angústia recriada é muito coerente com o retrato de um distúrbio psicológico. A interação na tela de passagens cotidianas e delírios também reafirma os sentimentos.

Muito preparado na realização de suas intenções, Disforia não é um filme de grande apuro técnico. Com atuações irregulares e passagens pouco elaboradas esteticamente, embora acerte de maneira precisa em algumas delas, principalmente naquelas onde a realidade está suspensa.

Disforia (2019)

Porém, é um filme que apoia-se na mensagem e na elaboração do roteiro, assinado em parceria pelo diretor e Thiago Duarte, e faz isso muito bem, sem subestimar a inteligência do espectador e nem apressar resoluções. Com um suspense construído aos poucos e muita segurança no desfecho que imaginou para si, Disforia é um filme que merece ser descoberto.

Um Grande Momento:
O vazio do final.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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