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Ainda Orangotangos

Indicado(Ainda Orangotangos, BRA, 2007)

Comédia

Direção: Gustavo Spolidoro

Elenco: Lindon Satoru Shimizu, Karina Kazue, Artur Pinto, Kayodê Silva, Renata de Lélis, Janaina Kremer, Nilsson Asp, Artele Cunha, Roberto Oliveira, Girley Paes, Heinz Limaverde, Rafael Sieg, Juliana Spolidoro

Roteiro: Paulo Scott (contos), Gibran Dipp, Gustavo Spolidoro

Duração: 81 min.

Minha nota: 8/10

Se fosse para definir qual é o tema central de Ainda Orangotangos, não pensaria duas vezes antes de dizer: a loucura humana, os extremos que uns, outros e até nós mesmos chegamos, seja por uma frustração, seja por falta de noção, seja por pura diversão.

Gustavo Spolidoro não ousou só na temática, baseada em seis contos do escritor gaúcho Paulo Scott. O que mais impressiona no longa é que ele foi filmado em um único plano-seqüência, ou seja, de uma vez só, sem cortes. A técnica já foi utilizada por outros nomes do cinema como Hitchcock, em Festim Diabólico, e Alexandr Sukurov, em A Arca Russa.

As histórias filmadas e interligadas unicamente pela cidade de Porto Alegre no dia mais quente do verão são a de um japonês desesperado pelo que acontece com sua companheira no metrô, uma conversa no ônibus entre duas namoradas e um Papai Noel tarado, uma maluca sozinha dentro de casa, um casal doidão que usa o apartamento da amiga, uma criança com dor de cabeça, um escritor que quer publicar seu livro a qualquer custo e um baile de debutante evangélico.

As ligações entre uma e outra foram muito bem estudadas, assim como todas as cenas estão ensaiadíssimas. Os atores estão muito bem, a trilha sonora é muito interessante e as justificativas para as músicas no ambiente são melhores ainda.

O único problema é que a história se alonga demais em um dos contos. Não sei se a impressão ficou por causa do tempo da cena, mas foi justamente o conto que tinha menos coisa interessante para contar. Tem também uma falha no som na passagem da festa de debutante, mas é só isso.

Apesar de ter definido o filme como comédia é bom destacar que ele também passa pelo drama e até pelo terror.

Mas é um filme divertido que, com seus momentos improváveis, acaba arrancando gostosas gargalhadas de quem o assiste. Daqueles que merece ser visto, com toda certeza!

Quem não gosta de muita invencionice pode achar o filme menor, mas mesmo assim se diverte.

Um Grande Momento

Tentando publicar um livro.



Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Festival Latino-Americano de Lima: Primeiro Prêmio, Ator (Roberto Oliveira)

Festival de Milão: Filme

Links

Imdb




FIC Brasília 2008

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

Um Comentário

  1. Realmente são momentos memoráveis! E a teoria do papa gremista? Ótima!

    Beijocas

  2. O filme é uma pérola ! E os grandes momentos para mim são: o diálogo com o Papai Noel no ônibus, a assustadora seqüência da mulher louca, e a cena da festa, com o velhinho dançando ao fundo … impagável !

  3. Oiee!!

    Kau – A idéia é mesmo muito boa e a ousadia de Spolidoro deixa tudo mais interessante.

    Vinícius – Tomara que chegue mesmo e dure, para todo mundo ver que nem só de favela vive o cinema nacional!

    Beijocas

  4. Comentei outra vez que esse é um dos mais aguardados por mim, espero que chegue por aqui em breve. Parece ser um tipo diferente de cinema nacional, desses que me agradam.

  5. Eu adooooro a premissa deste filme! Perdi de vê-lo aqui no Festival, pois teve apenas uma apresentação e, bem na hora, estava conferindo o filme do Zé do Caixão (Encarnação do Demônio).

    Bjos!!

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