Crítica | Cinema

Em Guerra com o Vovô

(The War with Grandpa, EUA, GBR, CAN, 2020)
Nota  
  • Gênero: Comédia
  • Direção: Tim Hill
  • Roteiro: Tom J. Astle, Matt Ember
  • Elenco: Robert De Niro, Uma Thurman, Rob Riggle, Oakes Fegley, Laura Marano, Cheech Marin, Jane Seymour, Christopher Walken, Juliocesar Chavez, Isaac Kragten, T.J. McGibbon, Poppy Gagnon, Lydia Styslinger, Joe Gelchion, Colin Ford
  • Duração: 94 minutos

Travis Bickle. Jake LaMotta. Johnny Boy. Jimmy Conway. Louis Cyphre. Rodrigo Mendonza. Vito Corleone. Vovô Ed.

Robert De Niro está com 77 anos e mais do que muitos atores podem bater no peito e se orgulhar. Ele viveu no cinema pelo menos uma dúzia de papeis icônicos, trabalhou com grandes cineastas e firmou uma parceria longeva com Marty Scorsese — até a chegada de Leo DiCaprio, que o idolatra. Artigos e mais artigos (como esse de Juan Sanguino, no “El País”) já foram dedicados, como verdadeiras teses cientificas, sustentados na hipótese de que ou Bob De Niro está devendo muito dinheiro na praça ou ele aceita tantos papéis ruins em comédias mequetrefes simplesmente porque já não recebe bons roteiros faz tempo. Se o brilho na carreira foi um pouco recuperado com O Irlandês, aqui está ele em uma comédia infantil e infantilizada, para desespero de seus fãs: Em Guerra com o Vovô.

O filme é uma adaptação da obra homônima do novelista infantil Robert Kimmel Smith, dirigida por Tim Hill, de Bob Esponja Calça Quadrada, Alvin e os Esquilos e Hop: Rebelde Sem Páscoa, que não parece ser a mesma pessoa por trás de filmes tão díspares, como a adaptação em live-action da animação dos Chipmunks — que irrita ao mesmo tempo que diverte –, o filme sem apelo do coelho baterista ou os roteiros da turma da Fenda do Biquíni. 

Robert DeNiro em Em Guerra com o Vovô

Com suas toneladas de carisma, Bob ou no caso, o Vovô Ed, parece estar se divertindo em meio às pegadinhas com o neto, que simplesmente quer seu quarto de volta. O patriarca ocupou o espaço do menino de 12 anos, agora relegado a habitar o sótão da casa. Entre preocupações genuínas da adolescência como lidar com os valentões da escola ou construir um castelo num jogo virtual, ele arranja tempo para bolar planos infalíveis contra o avô.

Outro homem-mito-lenda do cinema — que não merece daqui a um tempo habitar a faixa da Sessão da Tarde — dá as caras nessa comédia familiar como o velho e bom companheiro de Ed: Jerry, um bon vivant que só enxerga o lado bom da vida. E Bob realmente tem uma química incrível com o companheiro de O Franco Atirador, pena que as cenas entre os dois são poucas. Pois com o arremedo de história que possui Em Guerra com o Vovô, com a trama centrada na disputa com o neto (vivido pelo fraquinho Oakes Fegley) o marasmo toma conta quase que do todo.

Em Guerra com o Vovô

E sem falar nas mesmas piadas envolvendo velhice de sempre, carregadas de preconceito disfarçado de fofura. Hollywood já fez melhor, sendo com o próprio Bob de Niro brincando com seu “Star power” e emulando uma persona meio mafiosa meio o meme do grumpy cat nos filmes da série Entrando numa Fria, por exemplo.

Cheech Marin, Jane Seymour e especialmente Chris Walken ainda tentam levantar a bola da produção mas esta carece de graça. Tudo é tão mal azeitado que até Uma Thurman, vivendo a mãe da família e filha de Bob tem um rompante meio A Noiva de Kill Bill e amedronta um pobre adolescente que só quer namorar a filha dela.

Melhor pular esse Em Guerra com o Vovô com momentos fugazes que rendem parcas risadas e fazer sessão dupla de Esqueceram de Mim e Máfia no Divã.

Nota: 2

Um grande momento
Bolada e dentadura

Lorenna Montenegro

Lorenna Montenegro é crítica de cinema, roteirista, jornalista cultural e produtora de conteúdo. É uma Elvira, o Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e membro da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA). Cursou Produção Audiovisual e ministra oficinas e cursos sobre crítica, história e estética do cinema.
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